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10/12/09 - Governo Federal pretende controlar expansão da atividade sucroalcooleira*

Fonte: Renato Rodrigues*

Pesquisa já iniciada pela Embrapa Cerrados revela que o cultivo da cana-de-açúcar em áreas de Cerrado poderá atingir níveis de produtividade semelhantes às lavouras tradicionais. O bioma é considerado área de expansão da atividade sucroalcooleira e esta constatação indica o avanço das plantações de cana-de-açúcar nestas regiões devem avançar ainda mais.

O Governo Federal sinalizou no mês de setembro a vontade de se proibir o plantio da cana-de-açúcar em 81% do território nacional. O presidente Lula encaminhou naquele mês ao Congresso Nacional projeto de lei que se aprovado, determinará as regras para a expansão sulcrooalcooleira no Brasil. Considerada inédita no País, a ideia é barrar ou pelo menos desacelerar o plantio da cultura impedindo que novas usinas sejam construídas em qualquer área de vegetação nativa, na Amazônia, no Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai.

Somente o Estado do Mato Grosso, caso seja mantido o texto original do executivo, deverá perder investimentos na ordem de R$ 8,5 bilhões, recursos estes já previstos para a produção do etanol. Assim, o Mato Grosso pode ser uma das unidades da federação mais prejudicadas, já que informações do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindálcool) mostram que 70% da produção sucroalcooleira mato grossense está concentrada na região das Bacias do Alto Paraguai e Pantanal. Atualmente menos de 1% do território nacional é ocupado por área cultivada de cana-de-açúcar e se for aprovado o projeto de lei este percentual poderá ser expandido em até 7,5%.

Os estudos da Embrapa Cerrados estão concentrados nos Estados do Mato Grosso do Sul, Maranhão, Tocantins e Goiás. Os pesquisadores estão avaliando a produtividade e adaptação de cultivares indicadas para outras regiões produtoras e usadas comercialmente plantadas em condições de sequeiro e com a adoção de técnicas convencionais usadas em regiões produtoras. Com esta possibilidade de se frear o plantio da cana-de-açúcar em novas áreas e sendo o Mato Grosso o Estado a sofrer o maior impacto da lei em um futuro próximo, as áreas de Cerrado que hoje estão aptas a receber o plantio em solos sul-matogrossenses, maranhenses, tocantinenses e goianos poderão pagar o preço do avanço da fronteira agrícola para atender a demanda por etanol. 



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Governo Federal pretende controlar expansão da atividade sucroalcooleira*



Por Renato Rodrigues*

Pesquisa já iniciada pela Embrapa Cerrados revela que o cultivo da cana-de-açúcar em áreas de Cerrado poderá atingir níveis de produtividade semelhantes às lavouras tradicionais. O bioma é considerado área de expansão da atividade sucroalcooleira e esta constatação indica o avanço das plantações de cana-de-açúcar nestas regiões devem avançar ainda mais.

O Governo Federal sinalizou no mês de setembro a vontade de se proibir o plantio da cana-de-açúcar em 81% do território nacional. O presidente Lula encaminhou naquele mês ao Congresso Nacional projeto de lei que se aprovado, determinará as regras para a expansão sulcrooalcooleira no Brasil. Considerada inédita no País, a ideia é barrar ou pelo menos desacelerar o plantio da cultura impedindo que novas usinas sejam construídas em qualquer área de vegetação nativa, na Amazônia, no Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai.

Somente o Estado do Mato Grosso, caso seja mantido o texto original do executivo, deverá perder investimentos na ordem de R$ 8,5 bilhões, recursos estes já previstos para a produção do etanol. Assim, o Mato Grosso pode ser uma das unidades da federação mais prejudicadas, já que informações do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindálcool) mostram que 70% da produção sucroalcooleira mato grossense está concentrada na região das Bacias do Alto Paraguai e Pantanal. Atualmente menos de 1% do território nacional é ocupado por área cultivada de cana-de-açúcar e se for aprovado o projeto de lei este percentual poderá ser expandido em até 7,5%.

Os estudos da Embrapa Cerrados estão concentrados nos Estados do Mato Grosso do Sul, Maranhão, Tocantins e Goiás. Os pesquisadores estão avaliando a produtividade e adaptação de cultivares indicadas para outras regiões produtoras e usadas comercialmente plantadas em condições de sequeiro e com a adoção de técnicas convencionais usadas em regiões produtoras. Com esta possibilidade de se frear o plantio da cana-de-açúcar em novas áreas e sendo o Mato Grosso o Estado a sofrer o maior impacto da lei em um futuro próximo, as áreas de Cerrado que hoje estão aptas a receber o plantio em solos sul-matogrossenses, maranhenses, tocantinenses e goianos poderão pagar o preço do avanço da fronteira agrícola para atender a demanda por etanol. 

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