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A Odisséia Goiatuba-Panamá

Escrito por: Ernesto
Em: 20/12/10

Personagens: Ernesto Augustus, Erica, Paulo Castilho, Renato Rodrigues, Hugo, Leonardo Jaber, Cristiane, João
Data da aventura: Março de 2010

Abaixo descrevo o dia da melhor experiência de aventura que tive em minha vida. O cenário é uma descida no rio Meia Ponte partindo do município de Goiatuba cujo destino seria um pouco antes da foz do rio no município de Cachoeira Dourada. Infelizmente as coisas não aconteceram do jeito que planejavamos, mas nem por isso a aventura deixou de ser inesquecível. Confira abaixo os momentos de nossa aventura.

1 - A Saída,

Manhã de um dia de feriado, tínhamos a intenção de partir bem cedo para chegar a cidade de Goiatuba e ter tempo para descermos o rio, mas enrolamos um pouco, principalmente porque precisavamos comprar uma lona para colocar sobre as barracas devido ao período chuvoso. Fomos em dois carros, e o nosso amigo Renato Rodrigues tinha que voltar a Goiânia o mais rapido possível porque trabalharia a tarde. Ficamos então em apenas um carro quando chegamos a Goiatuba, e tivemos que fazer duas viagens para deixar as coisas na beira do rio e depois trazer as pessoas. A distância de ida e volta era de aproximadamente 35 Km para cada viagem, o que atrasou ainda mais nossa partida. Após nossa chegada, fui até a ponte da rodovia para tirar umas fotos já que na nossa última chegada na expedição anterior eu não havia registrado fotos do local. Após as fotos resolvi voltar para carregar coisas para as margens e preparar os caiaques. Eu não contava apenas com um detalhe que prejudicou o registro de todo nosso passeio, eu havia colocado a máquina fotografica no bolso e fui descer um barranco de um pequeno riacho para chegar ao outro lado, o problema é que escorreguei e algumas coisas que estavam comigo cairam dentro do riacho que estava com a água barrenta, acabava ali a possibilidade de fazer bastante registros de nossa nova aventura.

Inicio de mais uma descida, dessa vez continuamos a partir do nosso último ponto de parada que foi na ponte que liga Goiatuba a municípios como Aloândia. O Meia Ponte estava bem cheio devido às chuvas na cabeceira do rio, nos municípios mais acima. Nosso amigo Leonardo estava com a namorada, Cristiane, e ambos desceriam em um bote que já imaginávamos que não seria rápido para acompanhar os caiaques.

O inicio da descida foi bem tranquilo, apesar do sol que estava bem quente, tinhamos em mente que remaríamos em torno de 45 Km para chegarmos a uma área para acamparmos, que escolhemos através da imagem do satélite. Nossa suspeita a respeito da velocidade do bote que nos acompanhava se tornou real, o bote era dificil de controlar, não se mantinha em linha reta e estava desgastando a dupla que estava nele, além do mais o nosso amigo Leonardo de vez em quando tentava pescar no rio, ou seja, diminuia ainda mais o ritmo da turma.Conseguíamos acompanhar a velocidade de descida através do GPS e percebíamos que não estava nada boa. Para adiantar um pouco a velocidade para tentarmos chegar ao ponto escolhido, amarramos uma corda no bote e no caiaque onde eu estava. Apesar de ficar um pouco mais pesado, a velocidade média do conjunto ficou maior, fiquei então com a esperança de que chegaríamos a tempo. Ledo engano, não dava tempo e tivemos que pensar em um novo ponto para acampamento, afinal de contas já estava ficando escuro, e o tempo estava fechando por causa da chuva, era essencial podermos montarmos acampamento com o tempo claro.

Após passarmos por uma ilha onde havia um rancho, nosso amigo Castilho apontou um lugar que parecia um recanto, com uma área gramada e limpa em meio a grandes árvores. O lugar era ótimo, o problema é que a dupla do bote quase passou do lugar, o que abortaria a parada naquele ponto. Passado o susto, começamos a descarregar as coisas, o problema era só a subida no local, que era meio escorregadio e havia barro. Fomos então colocando as coisas e por fim, subimos todos os caiaques e o bote. Depois de nos ambientarmos ao local, o que foi muito rápido, começamos a armar o acampamento, colocamos as lonas por cima das barracas, com exceção do nosso amigo Castilho que colocou sua barraca um pouco mais longe e com sua própria lona. Ainda bem que trouxemos a lona, pois, a chuva que estava por vir foi grande. Depois de preparamos tudo, aproveitamos e fizemos uma fogueira, com madeira recolhida pela turma. A comida nós preparávamos num fogão de alcool, geralmente macarrão instantâneo ou sopa. Em relação a banho, somente eu e a Érica que tomamos, não consigo dormir sem tomar banho. Interessante foi ver a quantidade de peixes que existe no rio a noite, quando eu colocava a lanterna perto da água eu via a quantidade, só nas proximidades haviam milhares, a água mexia sem parar devido a quantidade de alevinos. Após o banho cada qual entrou para sua respectiva barraca, ainda era bem cedo, mas como não havia nada pra fazer, a opção era dormir.
 

2 - A chuva, o rio e os perigos

Começo da chuva, no inicio foi bem tímida, mas, pra falar a verdade, eu não queria chuva tímida, queria que chovesse muito. Claro que fiquei um pouco apreensivo, afinal de contas, será que a lona por cima da barraca iria funcionar? Funcionou, ainda bem. Sabíamos que o ponto onde estavamos era seguro e, depois de tanto cansaço remando, nada melhor do que um barulho de chuva para relaxar e pensar no que viria no outro dia.

Mais uma noite se passou, acordamos bem cedo, a expedição iria continuar. Antes de mais nada procuramos saber se o rio havia subido, subiu sim, mas muito pouco, ele estava cheio, mas era por causa de chuvas que caiam muito mais acima, Goiânia e outros municípios, inclusive em Goiânia houve pontos de alagamento, pontos que nunca haviam alagado, imagine então o nivel de cheia que pegamos logo abaixo. Nada que abalasse a expedição. Depois de tomarmos café da manhã e desmontarmos o acampamento, resolvemos partir para mais um dia de descida, teríamos muito o que percorrer ainda e nada poderia dar errado, mas infelizmente, deu. Em alguns momentos da descida alguns pescadores começaram a nos alertar a respeito de uma cachoeira que existia no rio, alguns falavam que dava pra passar, outros diziam que não era possível. Havíamos marcado o ponto da cachoeira no GPS e tínhamos a distância correta para evitar surpresas desagradáveis. Passamos por um barco de um pescador chamado João, que nos advertiu a não seguir e ainda disse para parar no rancho dele algumas curvas logo a frente que ali ele nos explicaria algumas coisas. O problema é que a velocidade do rio estava muito alta, não conseguimos parar no rancho, conseguimos parar somente alguns metros a frente, mas nossos amigos que estavam no bote não pararam, tivemos então que seguir e o que estava logo a frente foi de tirar o fòlego. Quando olhamos o rio pelo satélite antes de nossa expedição, percebemos que havia algumas manchas em seu leito, mas a imagem não estava nítida, e portanto não pudemos descobrir do que se tratava. Descobrimos então depois, da maneira mais emocionante possível que as manchas na verdade eram pedras, que ficavam no fundo do rio. Como ele estava bem mais cheio, a água batia com muita força nas pedras e formava ondas com mais de 1 metro de altura. O barulho do rio nesse ponto é de impressionar, fomos descendo esse trecho e de repente eis que aparece uma cachoeira no meio do rio, cada um teve um pensamento, mas todos fomos unânimes em imaginar que todos os caiaques e o bote virariam naquele turbilhão de água, tudo passou em câmera lenta naquele momento. Não viramos, nem mesmo o bote, e nem o caiaque de carga que nosso amigo Castilho estava puxando. Quando passamos do susto, pelo menos eu explodi de alegria, comecei a gritar, entusiasmado por termos superado aquele obstáculo. Que viessem os próximos obstáculos.

3 - A curva, o desespero

Continuando a descida tivemos uma grata surpresa numa curva, haviam muitas pessoas reunidas num acampamento. Logo percebemos que viraríamos atração. Assim que paramos no local, começamos a ser cercados pelo pessoal, curiosos com aqueles malucos que estavam descendo o rio. Depois das apresentações, e muitas perguntas, as crianças que estavam no local ficaram ansiosas para dar uma voltinha no caiaque. Então, uma a uma, fomos colocando o colete, e davamos uma volta nas proximidades do rancho. Alguns gostavam de ir sozinhos, outros por serem menores ou por quererem uma volta um pouco maior iam comigo no caiaque para duas pessoas. O pessoal estava bem interessado naqueles navegadores, estavam só um pouco preocupados, como seguiria aquele grupo naquele rio bravo? Por vários momentos o pessoal pedia para ficarmos e almoçarmos juntos. Infelizmente não pudemos esperar, o tempo era nosso maior inimigo naquele momento, e queriamos continuar a viagem, o mais rápido possível.

Foi então que partimos, após as despedidas e um grande saco de laranja que nos foi dado de presente, seguimos nosso rumo, todos bastante tensos por causa da cachoeira do Meia Ponte. Estavamos tão tensos que perdemos a confiança na marcação de distância do GPS que dizia que a cachoeira se encontrava a cerca de 5 Km do local de partida, quase 1 hora de viagem. Confiando na explicação de uma das pessoas que estavam no rancho da curva, nos confundimos com a posição exata da cachoeira, pensamos que deveríamos parar após a primeira ilha que aparecesse, o problema é que assim que a ilha foi aproximando o desespero tomou conta da turma que estava na frente, foi então que fomos com os caiaques em direção a margem para tentar parar, o problema era que a velocidade do rio estava alta e por mais que remassemos para parar, o caiaque não parava, fomos batendo então nos galhos da árvores, entrando cada vez mais fundo nas margens alagadas do rio e correndo o risco do caiaque virar por causa da velocidade que batíamos no galho. Finalmente encontramos um remanso e paramos. No remanso, quando já estavamos bem próximos da margem, resolvi desembarcar, eu achava que o local era raso, fui descer do caiaque com o gps pendurado no pescoço, quando dei o passo para entrar na água eu afundei de uma vez, o local era muito mais fundo do que eu esperava. A corda do GPS arrebentou e por sorte o GPS caiu dentro do barco. De qualquer forma não haveria problema do GPS entrar em contato com a água, pois ele é a prova d'água. O problema maior seria se ele descesse rio abaixo. Passado o susto, puxei o caiaque para perto da margem e ali descansamos um pouco, imaginando o que poderia ter acontecido com nosso companheiro Paulo.  Eu e o Leonardo, que parou bem próximo da gente, tivemos então a ideia de tentar achar a tal cachoeira, foi então que entramos por uma estrada que seguia seu rumo para longe do rio, tentamos então descobrir um novo caminho e entramos dentro de um pasto, sempre orientados com o barulho do rio, sabíamos que não havia como nos perder. A medida que o barulho se tornava mais forte, entravamos na mata que margeava o rio para ver se a tal cachoeira aparecia. Infelizmente o barulho era apenas de corredeiras ou da água batendo no galho das árvores. Após uma longa caminhada por caminhos desconhecidos, e a ameaça de chuva e raios que nos amedrontava, descobrimos apenas que fomos precipitados, que a cachoeira não estava perto como havíamos imaginado, e todo aquele pânico gerado foi desnecessário, que poderíamos ter confiado na marcação do GPS e avançado um pouco mais. Não só descobrimos que ainda estavamos longe da cachoeira, como também que poderíamos descer até um certo ponto, onde o rio ficava mais calmo em uma das margens e de lá, novamente por terra, tentar chegar até a cachoeira. Resolvemos voltar e então avisar os companheiros as nossas descobertas.

No caminho de volta eu fiquei imaginando se estava tudo bem com o Paulo, o que havia acontecido, já que não escutamos sua voz após nossa parada. Na volta para o porto seguro descobrimos que nosso amigo Paulo havia ficado preso com o caiaque no meio da galhada num ponto mais atrás e estava bem. Felizmente todos estavamos bem, talvez um pouco amedrontados, mas nada de ruim havia acontecido, com exceção de um remo que foi embora na bagunça. Um novo desafio começou a se estabelecer a partir do momento que imaginamos como iriamos tirar o Paulo com seu caiaque do meio das galhadas. Uma das soluções era esvaziar o caiaque e sair por dentro da mata até o lugar seguro, onde o inflaríamos novamente. A outra opção era passar pelo meio das galhadas, de forma controlada, em meio ao nervoso rio. Essa segunda opção era a mais rápida, porém a mais complicada. Eu, Ernesto, resolvi encarar a segunda opção,  munido de colete salva-vidas e o Paulo com uma grande corda, eu fui primeiramente rebocando o caiaque até um ponto onde seria possível subir nele e tentar sair do local de forma segura. A água do rio nesse ponto estava muito forte e eu ia apoiando nos cipós que encontrava para conseguir levar o caiaque. Ao chegar num ponto que eu e  o Paulo consideramos ideal, subi no caiaque e o Paulo amarrou uma grande corda nele, essa corda seria segura pelo Paulo até eu sair de um ponto de galhadas e ter total controle do caiaque. Foi o que ocorreu e felizmente consegui passar incólume e chegar ao remanso onde o resto da turma estava.

4 - A cachoeira

Após algumas conversamos resolvemos seguir viagem até chegar na parte do rio onde era seguro parar. Nervos a flor da pele, algumas discussões aconteceram por conta do medo que insistia em imperar, nessas discussões eu e a Erica discutíamos porque ela não quis descer um pouco mais onde havia uma parada. Insistiu em ficar em um ponto onde era mais dificil sair, e foi andando a pé pelo meio do mato, e eu com um caiaque de duas pessoas e um de carga amarrado atrás fui deixado a própria sorte preso a alguns galhos que teimavam em me agarrar. Num surto de raiva eu remei com toda força e consegui me livrar daquela galhada, chegando ao ponto onde eu queria parar. Nesse momento, todo reunidos, eu, Paulo e Leonardo fomos em expedição procurar a temida cachoeira enquanto as moças ficaram indefesas na beira do rio, a espera dos maltratados em busca de informação.

Andamos durante um bom tempo pela margem do rio, atravessando brejos e pequenos córregos e também no pasto. Em uma dessas caminhadas pelo pasto, nosso amigo Paulo foi surpreendido por uma cascavel que avisou com seu guizo de que estava na área e não queria confronto. A cobra  partiu em fuga pelo mato, sumindo em poucos segundos. Continuamos a caminhada, meio temerosos com a possibilidade de novas cobras. Por sorte não avistamos mais nenhuma. Após a chegada em uma praia, tiramos uma foto do rio revoltoso, pouco antes da cachoeira. Na praia havia bastante garrafas pets, resultado do lixo jogado em Goiânia que viaja por vários quilômetros dentro do rio. O barulho no local era muito alto, o volume de água era enorme, sabiamos que estavamos chegando, mas ainda faltava mais caminho a percorrer. Quando estavamos no meio do mato conseguimos avistar a tal cachoeira. As águas do rio, violentas no local mostrava que existia razão para temermos aquela cachoeira, que apesar de não ter os 4 metros de altura como havia sido dito, possuia uma imagem que nos provocava ao mesmo tempo medo  e admiração. Depois de fotografarmos o local e olharmos um pouco como era a cachoeira e o rio logo  a  frente, chegamos a um pequeno rancho onde ficamos pensando o que fazer naquela situação. Teríamos que voltar e como já estava começando a ficar um pouco mais tarde não optamos por voltar pela margem e sim seguir uma estrada que, embora mais longe, provavelmente chegaríamos mais rápido e seria menos perigoso por conta de animais peçonhentos.

Logo no início de nossa caminhada nos deparamos com um grande lamaçal no meio da estrada. Nosso amigo Paulo pisou em um grande espinho de tucum, um tipo de palmeira com grandes espinhos, que passou até pela sola da sandália que ele utilizava, de qualquer forma achei bem interessante a experiência naquele grande lamaçal. Depois de sairmos de dentro da mata e caminharmos bastante houve uma divergência entre o Paulo e o Leonardo sobre qual caminho seguir. O Paulo dizia que seria melhor seguir a estrada até chegar até a uma fazenda e depois descer em direção a área onde havíamos deixado as meninas e todo o equipamento. Já o Leonardo achou que seria melhor seguir por um outro caminho que provavelmente era mais próximo, porém mais incerto. Após um certo mal estar, seguimos pelo caminho proposto pelo Leonardo. Durante nossa caminhada, em alguns momentos o caminho se tornava confuso e era preciso parar e analisar a direção a ser tomada. Tínhamos que nos apressar pois estava ficando escuro. Um momento tenso foi quando chegamos a um brejo e tivemos que atravessa-lo. Estavamos com sede e com fome. Em um certo ponto chegamos até um córrego que passava por uma espécie de vala, onde tivemos que pular. Continuamos até mais a frente. Começamos a gritar, chamando pelas meninas para ver a localização exata de onde elas estavam, pois desconfiavamos que elas estavam perto. Apesar de não ouvirmos resposta aos chamados, conseguimos chegar a uma estrada que por sorte nos levou exatamente onde estava nosso equipamento, a Erica e a Cristiane.

5 - O rancho e o João

Já estava escurecendo e fomos buscar um local para passar a noite. Havíamos avistado um rancho na descida do rio quando estavamos buscando um remanso para a parada. Fomos caminhando até o rancho, passando por uma trilha limpa. que chegava numa estrada maior que subia por um pequeno morro até a chegada ao  rancho. No rancho tentamos encontrar a pessoa que morava no local para podermos pedir autorização para ficarmos. Nesse meio tempo escutamos um barco descendo o rio. Como estavamos perdidos, sem nenhum idéia de que ponto a gente se encontrava, corremos para pedir ajuda para o pessoal do barco. Descobrimos que um dos barqueiros era um pescador que haviamos cruzado com ele num ponto bem acima, o Sr. João. O pescador João parou o barco e veio conversar conosco. Ficamos meio receosos no início, quando não sabíamos quem era, mas depois nos tranquilizamos mais. O João nos ajudou a trazer os nossos caiaques até o ponto onde nós estavamos, pois, trazer os barcos por terra seria muito mais penoso. Depois nos ajudou a subir os barcos até o rancho, além de nos ter orientado a dormir na varanda da casa, na parte de fora, para nos protegermos melhor. Quando a noite já havia caído o pescador João ainda matou uma cobra cascavel que espreitava a casa e poderia nos causar um problema sério caso alguém fosse picado naquele momento. Antes de ir embora, passamos pra ele o telefone de nosso amigo Renato, que estava em Goiânia e iria nos buscar num ponto muito mais abaixo para que o João avisasse que ele não precisava ir até o ponto marcado anteriormente, e para tentar nos resgatar no ponto onde estavamos. O pescador João então partiu e ficamos especulando se realmente ele iria ligar para o Renato e se iria voltar para nos resgatar. Naquele momento estavamos na mão do Sr. João.

Montadas as barracas na varanda da casa, fomos preparar algo pra comer, tomar banho e tentar pegar sinal de celular para falar com alguém. O nivel de estresse no acampamento estava alto, pequenas discussões começavam a todo instante, aquela situação não poderia continuar por mais que um dia.O Paulo então pensou em um plano B, ele iria ir caminhando até a cidade de Goiatuba e, caso o Sr. João não aparecesse, ele conseguiria orientar a ajuda até chegar a região. Não era uma missão nada fácil, primeiro, não havia referência sobre o lugar onde estavamos, segundo a distância era enorme, no minimo 40 Km e não havia água nem alimento suficiente para fazer o percurso com segurança. A noite uma forte chuva caiu, por sorte estavamos na varanda e a chuva não nos afetou. Fomos dormir e aguardar pela chegada do dono da chacara, ou pelo menos o caseiro. Veio a madrugada e ninguém chegou, o dia amanhaceu e novamente ninguém chegou. Logo pela manhã o Paulo decidiu colocar seu plano B em prática e partiu. Ficamos então, eu, a Erica, Leonardo e Cristiane na expectativa, pelo João e pelo Paulo. O dia então foi passando, providenciamos um almoço com alguns itens que encontramos na chacara e que estavam à vista, mandioca, arroz e macarrão, além de óleo que usamos para acender o fogo. Claro que depois deixamos um dinheiro no local para cobrirmos as despesas, além de algumas coisas que tinhamos e não iriamos precisar mais, como um saco de laranja e outros alimentos.

6 - O resgate

O dia foi passando, foi chegando a tarde e a noite ja apontava. Já estavamos conformados que iriamos ficar lá mais uma noite. Em um momento fomos caminhar por uma estrada, de repente percebi que meu celular estava com sinal. Tratamos imediatamente de fazer uma ligação e falamos com o Renato. Ele nos disse que já estava em Goiatuba e estava com o João que havia ligado pra ele e eles se marcaram de se encontrar na cidade. O João serviria como guia para o Renato. Perguntamos pelo Paulo e eles disseram que ainda não haviam o visto. Ficamos na expectativa e a noite chegou. Esperando a chegada do pessoal avistamos uma luz, eram eles que vinham caminhando pela estrada, ficamos muito felizes com a chegada. Depois de cumprimentar e agradecer bastante o João e o Renato, eles nos disseram que os carros estavam a mais de 2 Km de distância, pois eles não conseguiram passar de uma porteira que estava trancada. Voltamos ao acampamento e as coisas já estavam todas prontas. Cada um foi pegando um pouco das coisas, sendo que o João pegou uma carga muito pesada. Ficamos impressionados e agradecidos, já que além de ter cumprido com a promessa que ele havia nos feito, ele ainda nos ajudou bastante até o último momento. Para chegar aos carros, fomos caminhando por uma estrada totalmente escura, enlameada, e usavamos apenas a iluminação de duas lanternas de baixa potência e carregavamos bastante peso. Aqueles foram  2 Km super dificeis de transpor. Ao final da caminhada, ainda tivemos que pular a cerca para poder chegar aos carros que estavam sendo vigiados pelo nosso amigo Hugo que veio dirigindo um dos automóveis.Depois de colocarmos a carga dentro dos carros, começamos nossa viagem de volta até Goiatuba. Percebi que o carro ja estava na com o combustível na reserva. Estavamos no meio do nada e teriamos que rodar uma distância de cerca de 60 km. O carro estava cheio e estavamos dirigindo devagar por estradas que mais pareciam labirintos em meio a canaviais. Havia grande quantidade de lama e eu estava com medo de atolarmos. Após muito rodar na estrada de chão conseguimos chegar na rodovia. Percorremos mais uma grande distância, com bastante subidas, pois havia uma serra para subir até chegar a cidade. Avistamos a cidade, ja estavamos perto, subindo, quando o carro começou a falhar, o combustivel estava acabando. A subida então acabou, a estrada ficou reta. Avistei um posto de gasolina bem a frente. Como eu estava com medo de a gasolina que acabasse, eu ignorei um quebra-molas e chegando ao posto ainda errei a entrada, passando praticamente pela contramão. Finalmente entramos no posto e a partir dali eu vi que haviamos superado as maiores dificuldades.

7 - O reencontro, fim da aventura

No posto encontramos ninguém menos que o Paulo. Ele estava num estado terrível. Mas nos disseram que mais cedo ele estava pior ainda, bem sujo, por causa do caminho que ele passou. Ele nos contou de sua odisseia em meio as estradas, sobre os caminhos que percorreu e a distância, cerca de 60 Km a pé num único dia. Depois de todos reunidos, decidimos ir até uma pizzaria na cidade de Goiatuba. Depois de comermos a pizza, deixamos o Sr. João em sua casa, agradecemos por todo apoio e ajuda que nos deu, recompensamos ele e partimos de volta pra Goiânia, cansados demais, mas, no meu caso, eu não estava nem um pouco arrependido de nada que havia feito, na minha visão, uma aventura e tanto e, como disse o Paulo, aventura sem sofrimento é passeio!


 

   


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