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Expedição no Meia Ponte - Vale das Pombas à Hidrolândia

Escrito por: Ernesto Augustus
Em: 23/05/10

Domingo 23 de Maio de 2010, o MeiaPonte.Org se preparou para mais um trecho a ser percorrido no rio Meia Ponte, o percurso partiu da ponte do vale das pombas no município de Senador Canedo até a ponte da estrada que liga Hidrolândia a Bela Vista, o total percorrido foi de 53 Km em caiaques infláveis. O tempo exato do trajeto foi de 9 horas, 35 minutos e 34 segundos, com uma média de deslocamento de 6,4 Km, velocidade máxima de 12,3 Km e horário de nossa chegada as 18:35:00 em total escuridão.

Essa expedição para mim foi a mais reveladora a respeito do rio até o presente momento, uma verdadeira aula de biologia, quimica, sociologia, etc. Sempre tive vontade de conhecer o rio Meia Ponte em seu ponto mais crítico, ponto onde ele já se despede de Goiânia, mas carrega consigo uma grande carga de poluentes, uma triste contribuição que a capital do estado, que retira do rio parte da água para o seu abastecimento, lhe dá  em resíduos sólidos ou líquidos, numa atitude egoísta que prejudica os municípios abaixo que ficam sem poder utilizar suas águas para os mais diversos fins.

A partida se deu por volta das 9 horas da  manhã de um dia ensolarado. As águas do rio se encontravam relativamente claras e com um leve odor provocado pelo lançamento de esgotos rio acima. Nessa descida tivemos a presença de nosso ilustre amigo Cleber Oliveira, que já avisou que nas próximas expedições vai marcar presença, logo no inicio percebi que meu caiaque estava com problema de vazamento em umas das válvulas que impedem a saída de ar do caiaque, como se já não bastasse o caiaque do Cleber estava com um pequeno furo na parte posterior, um furo de dificil reparo e que mais adiante provocaria alguns transtornos, principalmente para o Cleber.

Iniciada a descida, a visão que tivemos foi de um rio feio, bastante maltratado, com suas margens bem deterioradas devido a erosões, que são causadas por um volume de água muito grande que chega ao rio, fruto da impermeabilização da cidade e também pelo assoreamento do leito do rio, cujo fator prepoderante sãos os sedimentos que vem através de seus afluentes que também se encontram em deplorável estado. Em muitos momentos o fundo do caiaque tocava o leito do rio e em uma situação engraçada o caiaque do Cleber ficou encalhado no meio do rio, onde ele desceu e aproveitou para dar um enchida nele, já que a embarcação estava furada. Outra imagem que tivemos também foi a de sacolas plásticas penduradas nos galhos das árvores por mais de 20 Km a partir do trecho de onde a expedição saiu. A chuva lava as ruas da cidade e carrega consigo grande quantidade de lixo, o rio cheio  chega até a copa das árvores e as sacolas ficam presas e são reveladas quando o rio volta ao seu nível normal. A cena causava tristeza e sempre nos fazia lembrar que estavamos navegando em um rio poluído, com lixo preso nas árvores e muita erosão.

Mas não eram só sacolas que estavam presas não, encontravamos de tudo nos galhos, velocípede, carretel para fios ou cordas grandes, tora de madeira, garrafas plásticas, pneus e muitas outras coisas, e por falar em pneus nas margens do rio, em algumas praias chegamos a encontrar dezenas deles degradando ainda mais a já desgastada imagem do Meia Ponte. E como o que está ruim pode piorar, contamos cerca de 12 dragas de areia nesse curto trecho de 53 Km e confirmando o estrago que esses equipamemtos causam, as partes mais deterioradas do Meia Ponte eram justamente onde elas estavam, pois além da destruição no leito do rio, uma grande faixa de mata ciliar é removida para os mais diversos fins.

Como a água do rio possui grande carga de poluentes, era muito comum ver espuma em suas águas, inclusive o próprio ato de remar já as produzia, e nos trechos de turbulência em suas águas mais espuma era gerada. Interessante foi ver que cerca de 35 Km depois do nosso ponto de saída a espuma já não era mais produzida no rio, o que já demonstra que as águas já haviam sido um pouco depuradas pelos mais diversos fatores, além do que o odor no rio diminuiu drasticamente.

Apesar de toda a feiura que vimos durante a descida o rio nos proporciona belas visões, como paredões rochosos imensos na margem do rio, com nascentes que escorrem pelas pedras e caem direto nas águas do rio e que ajudam na renovação de suas águas, além do que existem vários afluentes de águas limpas que em alguns casos produzem verdadeiros espetáculos de beleza em suas entradas triunfantes em forma de cachoeiras que caem no Meia Ponte e renovam a vida. Interessante também foi ver enormes peixes, que até nos assustaram em alguns momentos, pulando fora d´agua e entrando novamente, essa cena se repetiu em torno de 5 vezes, como se os peixes tentassem nos entreter, dizendo, "olha, estou feliz por estarem aqui, salvem este rio!". Vimos também bastante aves, e inclusive uma nos chamou a atenção: era um pássaro branco com o bico azul, não era tão arisco como os outros e até nos deixou aproximar bastante para que pudessemos ver melhor. Em vários momentos também vimos paredes de rocha pequena, pedrinhas encaixadas que lembravam algo feito pelo homem, mas ali não tinha toque nenhum do humano, era a natureza que esculpiu verdadeiras obras de arte para nosso deleite.

Bem interessante também foi notar o tanto que o rio é desprezado enquanto este se encontra nas proximidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia, mas que com o distanciamento dessas cidades e a depuração de suas águas, as pessoas já passam a valoriza-lo novamente. Encontramos em nossa descida, grupo de pessoas pescando, em torno de 20 grupos, cada um possuia entre 2 e 4 pessoas, alguns em acampamentos completos, com barracas e toda  tralha para uma boa pescaria, passavamos comprimentando e brincando com o pessoal em alguns momentos, os pescadores começaram a aparecer principalmente após o ribeirão Caldas desaguar no Meia Ponte. O Caldas possuia uma bacia super preservada e por isso é responsável pela grande renovação das águas do Meia Ponte, traz organismos benéficos ao rio, além de ajudar na oxigenação de suas águas.

Mesmo com toda a pressa que estavamos para chegar antes do anoitecer, ainda pudemos tirar bastante fotos, contemplar paisagens, nos divertir, cansar demais, ficar aflitos pela chegada. Mas apesar de todos os esforços só fomos chegar na ponte de Hidrolândia na calada da noite, andamos mais de 15 minutos em completa escuridão, bastante tensos por medo de se chocar com pedras ou galhos submersos. Na chegada nosso amigo Cleber ainda chegou a cair no rio, um pescador nos indicou o melhor caminho para descermos na margem e ainda iluminou um pouco nossa chegada. Apesar da exaustão de todos, ainda tivemos que carregar os caiaques morro acima para alcançar a estrada e esperar nosso apoio que era o Renato Rodrigues para nos buscar e nos levar de volta ao conforto de nossas casas. Fiquei muito feliz por ver que dos 35 km a frente o rio já estava com características de um ambiente pouco explorado pelo homem, com quase nenhum odor em suas águas, sem espuma, com bastante peixe e ainda uma mata ciliar bem mais preservada. Estaremos de volta em breve a ponte de nossa chegada, para continuar nossa expedição, dessa vez até a ponte de Piracanjuba, e de lá até Rochedo, onde tudo começou, pelo menos para o MeiaPonte.Org.


 

   


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