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O dia em que fui apresentado ao Meia Ponte

Escrito por: Ernesto Augustus
Em: 05/01/10

Sábado, dia 02/01/2010, um dia após a ressaca de ano novo, iniciamos a nossa jornada rumo a Rochedo, uma aventura, além de conhecer a região tínhamos uma missão, testar caiaques inflaveis pra nossa expedição maior no rio Meia Ponte no próximo mês. Partimos de Goiânia por volta de 09:30 da matina, cerca de 90 Km nos separavam de nosso destino, eu nunca tinho ido até região, primeira vez, ao chegar ao local logo empolguei com a visão, um rio cheio com águas revoltas e barrentas, resultado das últimas chuvas, famílias sorridentes e pescadores alegres com a captura de peixes.


Cataratas do Rochedo. fala se não intimida?


Eu e meu possante caiaque

Logo um leve frio na barriga tomou conta. pensei eu descendo de caiaque aquele rio intimidador. Eu e meu amigo Paulo Castilho fizemos algumas filmagens e fotos do local, conversa vai, conversa vem, decidimos que era hora de colocar os barcos na água... do lago é claro, primeiro iríamos testar a estabilidade dos "bichos", era pra ter certeza que tudo ia correr bem. Meu caiaque foi cheio de tralha, já na primeira viagem. Tinha Maquina fotografica, filmadora, GPS, filtro solar, garrafa de água, latinha de refrigerante, toalha, tudo pra garantir a hidratação, a proteção e as imagens. Iniciamos o passeio e o frio na barriga aumentou, o medo de que o caiaque virasse já na primeira marolinha também. Medo utltrapassado seguimos nosso rumo em direção a um pier que não podemos chegar pois o caminho até lá estava tomado por mato, e plantas aquáticas, experiencia abortada continuamos rumo a entrada do lago, passamos por formações de vegetação, marolas um pouco maiores, batismo de jogada d'água em mim, sede, pois não conseguia alcançar minha garrafa d'água e muito,  muito esforço pra manter o caiaque reto devido ao vento.


Amigo Paulo Castilho. Manda um tchau pro povo!


Lago de rochedo. Pensa num lugar  bom!

Vimos um monte de garrafas plasticas acumuladas no meio dos capins e repolhos d'água, visão triste do que o goianiense costuma fazer com seu rio. Prosseguimos, andamos cerca de 5.5 KM até uma parte onde foi impossível continuar. A correnteza estava muito forte, tivemos que voltar, o retorno foi mais rápido, pois estavamos a favor da corrente, devemos ter percorrido mais uns 3 Km na volta. Garanto que todo o esforço foi recompensado.


Se o lixo que flutua já é muito, imagina o que tem debaixo d'água?
Sinto vergonha por quem joga lixo na rua



Existem muitos jaburus na beira do lago. É uma ave imponente


O problema é que não ficou só nisso, queríamos mais, já estávamos seguros no caiaque e como diz meu amigo Paulo Castilho, aventura sem sofrimento é passeio. Vou contar uma coisa, como me aventurei esse dia. Não vou esquecer tão cedo, foi aventura a valer, o passeio ficou longe. Resolvemos então que tínhamos que descer o rio até a ponte da BR 153. Botamos os caiaques na água e seguimos o rumo, correnteza forte, rio cheio, nossa descida foi das mais tranquilas, pudemos apreciar a paisagem, contemplar a força e o tamanho do rio, rir das situações e nos torrar ao sol, apesar de ter passado filtro solar eu ainda consegui queimar algumas partes que ficaram desprotegidas ou o filtro perdeu o efeito após um tempo de exposição. Após curvas, voltas, corredeiras, ilhas, decisões a tomar, chegamos ao nosso destino, a ponte. O Paulo no auge de sua experiência parou o caiaque de maneira exemplar, e ficou tranquilo, eu cheguei com tudo achando que quanto mais rápido chegasse, maior a chance de não ser levado rio abaixo, ledo engano, na minha chegada, percebi que o rio não gosta de pressa, só vi a pilastra da ponte crescendo em minha direção e só tive tempo de dizer tchau, e deixar ser levado. Naquele momento achei que o caiaque fosse virar, mas não virou, então me preocupei só em achar um lugar para parar antes que eu ficasse longe demais do ponte de chegada. Procurei um ponto onde a água se tornasse parada ou ficasse em circulos para fazer meu desembarque, por sorte achei o ponto bem perto e atraquei, agarrei com força a pedra e pensei, é aqui mesmo. Sai da água e esvaziei o caiaque para o transporte.


Ponte na BR 153. No dia que chegamos nesse ponto o rio
estava passando por cima dessa terra encobrindo parte da pilastra


 É aqui que começa a parte da aventura propriamente dita, eita sofrimento, 12 Kg nas costas mais remo, durante 8 KM, entre subidas e descidas até voltar a cidade não tem preço. Por sorte eu não me arrependi do passeio, valeu a pena o esforço, me senti quase num triatlo, com a modalidade levantamento de peso enquanto caminho. Ainda pegamos chuva no percurso. O Paulo estava com um caiaque mais pesado que o meu, mas felizmente ele é maior que eu e também mais empolgado nesse ponto, o que ajuda muito. Chegando ao destino pegamos o carro e voltamos pra Goiânia, loucos para chegar em nossas casas e tirar um belo de um merecido sono após 10 horas de esforços.
 


 

   


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