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RIO MEIA PONTE GOIANIRA-GOIÂNIA-ALOÂNDIA 2005

Escrito por: Paulo Castilho
Em: 13/04/06

Primeira Parte


Ao fundo, a margem por onde entramos no rio.


No ano de 2004, eu e o Ronilson P. Marques, fizemos o percurso de Goiânia ao Lago do Rochedo pelo leito do rio Meia Ponte, em um total de 170 km - por terra a distancia nao passa de 99km. Começamos a aventura no dia 21 de Abril e concluímos no dia 23, tres dias arduos de descida.

Esse ano eu quis fazer um percurso mais longo. Decidi que o ideal seria sair de Goianira, distante 55km desde minha residência, passando por Goiânia e seguindo além do lago, indo até o município de Aloândia.

A equipe inicial foi composta por mim, Rogério, que iria me acompanhar no remo e Donato, que por sua vez estaria dando início a um trabalho de filmagem das condições do rio.

Além do material filmado, nós também fizemos o registro através de fotografias.

Saímos de Goiânia às 8 horas da manha. Na cidade de Goianira fomos auxiliados pelo amigo Valdivino, que nos levou até o rio. O transporte de Goiânia a Goianira foi feito na Kombi de um amigo.

A margem que usamos como ponto de partida está totalmente desmatado. Trata-se de uma curva, que serve como vazante na época das cheias. O local poderia muito bem ser reflorestado, mas o proprietário local o usa como pasto para o gado.

Em se tratando de reflorestamento da mata ciliar, há espécies pouco conhecidas da população, como a “dedaleira” (Lafoensia pacari), uma árvore de pequeno a médio porte, de flores brancas amareladas, que de novembro a janeiro atrai morcegos, mariposas e abelhas, seus polinizadores. Ela está sendo usada no reflorestamento da Mata Atlântica. Tradicionalmente, sua madeira era usada na fabricação de flechas pelos índios guaranis.


Janderson e sua Kombi, responsável pelo transporte do equipamento

Ao se fazer o trabalho de reflorestamento, acho que seria interessante pensar na fauna da região. Pensando assim, seria interessante pensar em árvores que atraem e alimentam os pássaros. Nesse caso, teríamos que pensar em plantas especiais, como a árvore fruto-de-sabiá (Achnistus arboreus). Embora tenha apenas o nome de um pássaro em particular, pode alimentar outras 50 espécies como saíras, sanhaços, pombas, tico-tico-rei.

A maioria das pessoas sempre pensam, “Mas não leva muito tempo até crescer?”. Temos que parar de pensar em soluções imediatistas. Ninguém fica nesse mundo para semente, mas nossas idéias sim, podem ser sementes para uso de todos. Plantar árvores é semear a vida. Vê-las crescer, florescer, frutificar é uma forma de amor incondicional.



Rogerio e nossa equipe de apoio.

A perda da mata ciliar representa uma das maiores ameaças aos sistemas aquáticos. A vegetação das margens contribui para o delicado equilíbrio das águas. Como os cílios protegem nossos olhos, essas matas protegem as margens das nascentes e rios, contendo suas barrancas e constituindo um verdadeiro filtro de retenção dos sedimentos, resultantes da erosão. Com a mata na integra, a copa das árvores não permite que a chuva caia diretamente no solo. A água escorre vagarosamente pelos troncos, infiltra no solo e alimenta nascentes e o lençol freático.

Sem a mata ciliar, a água arrasta sedimentos para os rios, que ficam turvos. Os próprios fazendeiros pagam o preço do desmatamento. Com o solo desprotegido, as chuvas lavam o solo dos pastos, que ficam pobres em nutrientes e o gado também sofre as consequências da retirada radical das matas.


Um dos momentos difíceis da viagem. Tivemos que passar a canoa
vazia amarrada por cordas por sobre várias pedras.



A estação de coleta e tratamento de água de Goiânia tambem foi um dificil obstáculo que tivemos que transpor. A canoa teve que ser carregada por fora do leito. O guarda, que faz vigilância no local veio até nós, explicamos o que estávamos fazendo e em seguida prosseguimos viagem.



Ao fundo, Estaçao de Elevaçao de Agua de Goiania

Depois de percorrer 70 Km a partir de sua nascente, este rio margeia a região norte da capital e segue em direção às águas do sul. Só em Goiânia, ele já chegou a receber diariamente mais de 170 milhões de litros de esgoto.
Abaixo da estação de coleta de água, apesar de termos passado por vários pescadores e até mesmo banhistas (vários deles), começam as irregularidades. Esgotos são jogados diretamente no rio e águas são coletadas irregularmente (?) para irrigação.

Durante a descida, encontramos famílias inteiras tomando banho e até mesmo assando carne na beira do rio. Por não querer invadir a privacidade dos mesmos, não fizemos fotos, 0 mesmo aconteceu com os pescadores.



Esgoto domestico sendo despejado in natura no leito do rio




A idéia inicial era remar de Goiânira até Goiânia até à chácara do Gioveroni Limongi, próximo da GO-020, de onde partiríamos em direção a Aloândia na terça-feira. Os obstáculos encontrados pelo caminho acabaram por atrasar nosso percurso. Tivemos que improvisar uma saída antes do previsto. Acabamos saindo na ponte que liga o Carrefour Norte a Arisco (Perimetral Norte).

Como não havíamos previsto esse incidente, tivemos que improvisar socorro para transportar o barco. Após várias tentativas, acabou sobrando para o parceiro do ano passado, Ronilson, que veio em nosso auxílio.


Donato, Rogerio e eu. Notem como ja estava escuro quando chegamos.

Pouco acima de onde nós aportamos, existe na margem direita uma verdadeira “cascata” de esgoto. A falta de iluminação impediu que fotografássemos a mesma.

Mesmo com toda a sujeira do local e do mal cheiro, no local em que retiramos a canoa do rio havia umas seis pessoas pescando.

Saímos dali por volta das 19:30 hrs.


Ronilson - responsavel pelo nosso inesperado resgate.

O plano agora era descansar para seguir viagem na terça-feira (19 de abril).
O grande problema do rio no perímetro urbano de Goiânia, além do esgoto e lixo plástico, são os entulhos. Eles formam verdadeiras “ilhas” nas margens e no meio do rio. Até mesmo nessa época em que sua caixa está cheia, nosso barco raspou o fundo várias vezes nessas ilhas.

Continua...


 

   


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