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Escrito por: Paulo Castilho
Em: 23/05/04

REDESCOBRINDO O MEIA PONTE

Goianienses navegam por trecho entre a capital e o Lago da Usina Rochedo e constatam que, apesar do lixo e das dragas, o rio ainda é uma boa opção de lazer

(Publicado no Jornal Tribuna do Planalto – edição de 23 a 29 de maio de 2004)

por Marco Aurélio Vigário


Eu, Gioveroni e Ronilson - em nosso ponto de partida.

Uma canoa, dois remos e uma barraca de acampamento. Com essa infra-estrutura básica, o comerciante Paulo Castilho, 38 anos, e o digitador Ronilson Marques, 34, decidiram percorrer os 130 quilômetros do trecho entre Goiânia e o Lado da Usina Rochedo, próximo ao municipio de Professor Jamil. Na bagagem, suprimentos para uns poucos dias de viagem e o desejo de conhecer o rio que povoa o imaginário goianiense: o Rio Meia Ponte. A idéia surgiu em outubro de 2003, quando foi inaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto de Goiânia. Uma das promessas da obra é despoluir gradualmente o Meia Ponte, que já chegou a ser chamado de “esgoto a céu aberto”, por ser utilizado como escape do esgoto e do lixo da capital. “Quando comentávamos nossa idéia com alguém, havia sempre o espanto: ‘No Meia Ponte!’ Queriamos mudar essa imagem”, conta Paulo Castilho. A saida foi marcada para o dia 23 de abril, uma sexta-feira, e na data combinada lá estavam eles na ponte da GO-020, que liga Goiânia ao municipio de Bela Vista. Os dois amigos remaram cerca de oito horas por dia, a uma velocidade média de 8 km/h. Precisaram se preocupar menos com o esgoto do que com o lixo plástico. Entre os curiosos objetos que também passeavam pelo rio estavam cadeiras, garrafas pet, utensílios domésticos, pára-choques de automóveis e até tanquinhos de lavar roupa.  É bom lembrar que uma garrafa plástica demora pelo menos 450 anos para se decompor na natureza. Pior que o lixo são as dragas, que extraem areia do leito do rio. Em um trecho de 130km, Paulo Castilho e Ronilson Marques encontraram nada menos que seis pontos de dragagem. “São nesses locais que se nota uma maior degradação das margens: mata ciliar destruída, desmoronamento dos barrancos e alargamento do leito”, denuncia Castilho.  Mas nem só de más noticias vive o Meia Ponte. Os dois aventureiros chegaram ao Lago do Rochedo no domingo, 25, às 12h30m. Acima de tudo, estavam fascinados pela fauna avistada na região – pássaros, capivaras e cágados. A conservação das margens e as paisagens deslumbrantes são outros pontos destacados por Paulo Castilho. “Em alguns momentos, a gente até esquece que está sobre um rio descartado pela população de Goiânia”, lembra.


Colocando o barco na água.



UM RIO À DERIVA

por Paulo Castilho
(Especial para a Tribuna do Planalto)

Quando tivemos a idéia de descer o rio, fomos em busca de informações. Procuramos o Ibama, na esperança de conseguir mapas hidrográficos ou qualquer outro tipo de informação. Mas o que constatamos foi uma desinformação total entre os funcionários que nos atenderam. Ninguém sabia se o material sequer existia. Acho até que duvidaram que desceriamos mesmo o rio. Após muito empurra-empurra, perguntamos se era preciso alguma autorização para fazer a descida. O funcionário nos informou que seria preciso pagar uma taxa no valor de R$ 60, para obter uma licença de Pesca Embarcada. Depois de tantas informações desencontradas, os funcionários do Ibama resolveram nos jogar para a Agência Goiana de Meio Ambiente e Recursos Naturais, onde talvez conseguissemos alguma coisa. Há possibilidade de pesca rio abaixo e, para aqueles que querem praticar o esporte, é preciso pagar a Licença para Pesca Amadora – obrigatória para todo pescador que utiliza molinete ou carretilha ou pesca embarcado. O menor de 18 anos está dispensado do pagamento da taxa, assim como o aposentado maior de 65 anos (60, no caso de mulheres)


Ronilson e Paulo Castilho, prontos para a aventura.

CONTROLE

O licenciamento é a forma que os governos federal e estadual dispõem para controlar a exploração dos recursos pesqueiros. Serve também para arrecadar recursos para a implementação de planos de gerenciamento e fiscalização do meio ambiente. A partir do momento que se tiver certeza que as verbas estão sendo usadas de maneira correta e para o seu devido fim, o pagamento se tornará um prazer. Não pagamos a taxa porque o nosso objetivo não era a pesca e sim conhecer o rio. Dificil seria pagar e constatar que o rio está sendo depredado pelas dragas de areia – e não pela pesca ilegal. Pior ainda é constatar que durante todo o trajeto não existe um só fiscal do órgão. AGRADECIMENTOS Nossa aventura teve o importante apoio de duas pessoas, Gioveroni Limongi (Goiânia) e Renor (Rochedo), que nos cederam suas propriedades como pontos de partida e chegada. Fica aqui o nosso agradecimento. SAIBA MAIS O Rio Meia Ponte nasce na Serra dos Brandões, a uma altitude de 983 metros, na divisa dos municipios de Taquaral de Goiás e Itauçu, localizado a 60 quilometros da capital. Tem 471,6 quilometros de extensão. Deságua no Rio Paranaíba, próximo a Cachoeira Dourada e à divisa com o Estado de Minas Gerais. A bacia hidrográfica do Meia Ponte ocupa cerca de 4% da área do Estado, abrangendo 38 municipios e aproximadamente dois milhões de pessoas. Em junho de 2003, técnicos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, ao analisar fotos de satélite, descobriram cinco importantes nascentes do Rio em Taquaral de Goiás. CONVITE Estamos preparando uma nova descida pelo rio, completando o trajeto até Aloandia. Nossa última aventura terminou na ponte do municipio de Pontalina. Assim que começarem as chuvas, período em que as pedras estarão encobertas, retomaremos nossa aventura, saindo desta vez de onde paramos (da ponte) até Aloandia. O percurso é curto e o faremos em um período de dois dias, aproveitando para estudar ao máximo seus afluentes e condições de margens. Os interessados devem entrar em contato conosco – hqpoint@hotmail.com


Ronilson, contemplando a beleza natural da região de Hidrolandia.


Nosso segundo acampamento, abaixo da ponte de Piracanjuba.


Ronilson e eu, durante entrevista para o Jornal Tribuna do Planalto.


Ponto de extração de areia. Margem danificada.


 

   


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