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MeiaPonte.Org na Revista Hoje

Escrito por: Ernesto Augustus
Em: 22/08/11

A edição de número 55 da revista Hoje traz uma reportagem super bem escrita sobre a situação do rio Meia Ponte  principalmente na região metropolitana de Goiânia. O projeto MeiaPonte.Org deixou sua marca na reportagem com fotos e também algumas informações que enriqueceram ainda mais o trabalho. Clique na imagem abaixo para ir para um edição digital da revista.

 



 

 


 

   

Idelizador do projeto MeiaPonte.Org participa de reportagem do jornal Hoje sobre a poluição no Meia Ponte

Escrito por: Ernesto Augustus
Em: 22/08/11

Reportagem fala sobre o mau cheiro no Meia Ponte nessa época do ano: Agosto.


 

   

Por dentro do Meia Ponte em 2011

Escrito por: MeiaPonte.Org
Em: 24/12/10

POR DENTRO DO 
MEIA PONTE EM 2011
 
Uma ótima opção para quem quer sair da rotina no feriado de carvanal

No feriado de Carnaval de 2011 (nos dias 5, 6, 7 e 8), estaremos descendo o rio Meia Ponte de caiaque (ou canoa a remo).

Queremos convidar aqui todos aqueles que curtem aventura e queiram conhecer o rio.

O passeio será feito em 3 etapas, ou seja, pernoitaremos em três pontos diferentes do rio. Os participantes podem optar em fazê-lo por completo ou até mesmo optar por alguma das etapas.
 
EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS PARA CADA PARTICIPANTE:
. Caiaque (existem modelos baratissimos no mercado) ou canoa (a remo);
. Colete salva-vida (uso obrigatório);
. Rede para dormir ou barraca;
. Água potável
. Alimentação básica individual.

 

O acesso a este local é através do Parque Ateneu


PERCURSO
Primeira Etapa
De Goiânia (Vale das Pombas) até ponte de Hidrolandia (que liga a cidade de Hidrolandia a Bela Vista)
Saída: 8 horas da manhã - Chegada: 17 horas
Distância a ser percorrida: 53 km
Comentário: Esse é um dos trechos mais interessantes da aventura, além de se ver o processo de recuperação do rio, existem paredões de pedra ao longo do percurso, muitos peixes que chegam a pular fora d´água, além de imagens belíssimas. Claro que existem coisas feias que os moradores de Goiânia e região metropolitana contribuem.

Daqui os participantes que desistirem do "passeio" podem voltar à Goiânia por Hidrolandia ou Bela Vista.


Segunda Etapa
Ponte de Hidrolandia até ponte de Piracanjuba (que liga Piracanjuba à BR-153)
Saida: 8 horas - Chegada: 17 horas
Distância a ser percorrida: 41 km
Comentários: Dizem que esse é um dos trechos mais bonito do rio, com mata super conservada.

Daqui os desistentes podem retornar à Goiânia através da BR-153
 


Terceira Etapa
Ponte de Piracanjuba até Usina do Rochedo
Saída: 8 horas - Chegada: 17 horas
Distância a ser percorrida: 48 km
Comentário: Aqui o rio começa a apresentar características de lago

Excelente ponto para se comunicar com a família (telefones públicos), bares e boa área para acampamento.


Quarta Etapa
Usina do Rochedo até Ponte de Pontalina (que liga Pontalina à BR-153)
Saída 8 horas - Chegada 15 horas
Distância a ser percorrida 30 km
Comentários: Trecho muito bonito, com corredeiras em vários pontos.

Ponto final da aventura. Local de fácil acesso através de Aragoiânia ou até mesmo pela BR-153.
 

OBSERVAÇÃO:
Cada participante fica responsável pelo transporte de seu equipamento até o rio e pelo retorno a Goiânia, podendo combinar com outros participantes a divisão de despesas de transporte (veículos e combustível).  
 
TAXA DE INSCRIÇÃO:
Valor: R$ 30,00
Data limite para pagamento 1° de fevereiro de 2011
. A renda arrecadada com as inscrições será revertida em água, isotônicos e lanches, que serão distribuidos aos participantes pela equipe de apoio de terra, nos pontos de pernoite.

Mais informações podem ser obtidas diretamente com os organizadores:

PC Castilho
hqpoint@gmail.com
(62) 9913 6696

Ernesto Augustus
contato@meiaponte.org
(62) 9253 1746

 


 

   

A Odisséia Goiatuba-Panamá

Escrito por: Ernesto
Em: 20/12/10

Personagens: Ernesto Augustus, Erica, Paulo Castilho, Renato Rodrigues, Hugo, Leonardo Jaber, Cristiane, João
Data da aventura: Março de 2010

Abaixo descrevo o dia da melhor experiência de aventura que tive em minha vida. O cenário é uma descida no rio Meia Ponte partindo do município de Goiatuba cujo destino seria um pouco antes da foz do rio no município de Cachoeira Dourada. Infelizmente as coisas não aconteceram do jeito que planejavamos, mas nem por isso a aventura deixou de ser inesquecível. Confira abaixo os momentos de nossa aventura.

1 - A Saída,

Manhã de um dia de feriado, tínhamos a intenção de partir bem cedo para chegar a cidade de Goiatuba e ter tempo para descermos o rio, mas enrolamos um pouco, principalmente porque precisavamos comprar uma lona para colocar sobre as barracas devido ao período chuvoso. Fomos em dois carros, e o nosso amigo Renato Rodrigues tinha que voltar a Goiânia o mais rapido possível porque trabalharia a tarde. Ficamos então em apenas um carro quando chegamos a Goiatuba, e tivemos que fazer duas viagens para deixar as coisas na beira do rio e depois trazer as pessoas. A distância de ida e volta era de aproximadamente 35 Km para cada viagem, o que atrasou ainda mais nossa partida. Após nossa chegada, fui até a ponte da rodovia para tirar umas fotos já que na nossa última chegada na expedição anterior eu não havia registrado fotos do local. Após as fotos resolvi voltar para carregar coisas para as margens e preparar os caiaques. Eu não contava apenas com um detalhe que prejudicou o registro de todo nosso passeio, eu havia colocado a máquina fotografica no bolso e fui descer um barranco de um pequeno riacho para chegar ao outro lado, o problema é que escorreguei e algumas coisas que estavam comigo cairam dentro do riacho que estava com a água barrenta, acabava ali a possibilidade de fazer bastante registros de nossa nova aventura.

Inicio de mais uma descida, dessa vez continuamos a partir do nosso último ponto de parada que foi na ponte que liga Goiatuba a municípios como Aloândia. O Meia Ponte estava bem cheio devido às chuvas na cabeceira do rio, nos municípios mais acima. Nosso amigo Leonardo estava com a namorada, Cristiane, e ambos desceriam em um bote que já imaginávamos que não seria rápido para acompanhar os caiaques.

O inicio da descida foi bem tranquilo, apesar do sol que estava bem quente, tinhamos em mente que remaríamos em torno de 45 Km para chegarmos a uma área para acamparmos, que escolhemos através da imagem do satélite. Nossa suspeita a respeito da velocidade do bote que nos acompanhava se tornou real, o bote era dificil de controlar, não se mantinha em linha reta e estava desgastando a dupla que estava nele, além do mais o nosso amigo Leonardo de vez em quando tentava pescar no rio, ou seja, diminuia ainda mais o ritmo da turma.Conseguíamos acompanhar a velocidade de descida através do GPS e percebíamos que não estava nada boa. Para adiantar um pouco a velocidade para tentarmos chegar ao ponto escolhido, amarramos uma corda no bote e no caiaque onde eu estava. Apesar de ficar um pouco mais pesado, a velocidade média do conjunto ficou maior, fiquei então com a esperança de que chegaríamos a tempo. Ledo engano, não dava tempo e tivemos que pensar em um novo ponto para acampamento, afinal de contas já estava ficando escuro, e o tempo estava fechando por causa da chuva, era essencial podermos montarmos acampamento com o tempo claro.

Após passarmos por uma ilha onde havia um rancho, nosso amigo Castilho apontou um lugar que parecia um recanto, com uma área gramada e limpa em meio a grandes árvores. O lugar era ótimo, o problema é que a dupla do bote quase passou do lugar, o que abortaria a parada naquele ponto. Passado o susto, começamos a descarregar as coisas, o problema era só a subida no local, que era meio escorregadio e havia barro. Fomos então colocando as coisas e por fim, subimos todos os caiaques e o bote. Depois de nos ambientarmos ao local, o que foi muito rápido, começamos a armar o acampamento, colocamos as lonas por cima das barracas, com exceção do nosso amigo Castilho que colocou sua barraca um pouco mais longe e com sua própria lona. Ainda bem que trouxemos a lona, pois, a chuva que estava por vir foi grande. Depois de preparamos tudo, aproveitamos e fizemos uma fogueira, com madeira recolhida pela turma. A comida nós preparávamos num fogão de alcool, geralmente macarrão instantâneo ou sopa. Em relação a banho, somente eu e a Érica que tomamos, não consigo dormir sem tomar banho. Interessante foi ver a quantidade de peixes que existe no rio a noite, quando eu colocava a lanterna perto da água eu via a quantidade, só nas proximidades haviam milhares, a água mexia sem parar devido a quantidade de alevinos. Após o banho cada qual entrou para sua respectiva barraca, ainda era bem cedo, mas como não havia nada pra fazer, a opção era dormir.
 

2 - A chuva, o rio e os perigos

Começo da chuva, no inicio foi bem tímida, mas, pra falar a verdade, eu não queria chuva tímida, queria que chovesse muito. Claro que fiquei um pouco apreensivo, afinal de contas, será que a lona por cima da barraca iria funcionar? Funcionou, ainda bem. Sabíamos que o ponto onde estavamos era seguro e, depois de tanto cansaço remando, nada melhor do que um barulho de chuva para relaxar e pensar no que viria no outro dia.

Mais uma noite se passou, acordamos bem cedo, a expedição iria continuar. Antes de mais nada procuramos saber se o rio havia subido, subiu sim, mas muito pouco, ele estava cheio, mas era por causa de chuvas que caiam muito mais acima, Goiânia e outros municípios, inclusive em Goiânia houve pontos de alagamento, pontos que nunca haviam alagado, imagine então o nivel de cheia que pegamos logo abaixo. Nada que abalasse a expedição. Depois de tomarmos café da manhã e desmontarmos o acampamento, resolvemos partir para mais um dia de descida, teríamos muito o que percorrer ainda e nada poderia dar errado, mas infelizmente, deu. Em alguns momentos da descida alguns pescadores começaram a nos alertar a respeito de uma cachoeira que existia no rio, alguns falavam que dava pra passar, outros diziam que não era possível. Havíamos marcado o ponto da cachoeira no GPS e tínhamos a distância correta para evitar surpresas desagradáveis. Passamos por um barco de um pescador chamado João, que nos advertiu a não seguir e ainda disse para parar no rancho dele algumas curvas logo a frente que ali ele nos explicaria algumas coisas. O problema é que a velocidade do rio estava muito alta, não conseguimos parar no rancho, conseguimos parar somente alguns metros a frente, mas nossos amigos que estavam no bote não pararam, tivemos então que seguir e o que estava logo a frente foi de tirar o fòlego. Quando olhamos o rio pelo satélite antes de nossa expedição, percebemos que havia algumas manchas em seu leito, mas a imagem não estava nítida, e portanto não pudemos descobrir do que se tratava. Descobrimos então depois, da maneira mais emocionante possível que as manchas na verdade eram pedras, que ficavam no fundo do rio. Como ele estava bem mais cheio, a água batia com muita força nas pedras e formava ondas com mais de 1 metro de altura. O barulho do rio nesse ponto é de impressionar, fomos descendo esse trecho e de repente eis que aparece uma cachoeira no meio do rio, cada um teve um pensamento, mas todos fomos unânimes em imaginar que todos os caiaques e o bote virariam naquele turbilhão de água, tudo passou em câmera lenta naquele momento. Não viramos, nem mesmo o bote, e nem o caiaque de carga que nosso amigo Castilho estava puxando. Quando passamos do susto, pelo menos eu explodi de alegria, comecei a gritar, entusiasmado por termos superado aquele obstáculo. Que viessem os próximos obstáculos.

3 - A curva, o desespero

Continuando a descida tivemos uma grata surpresa numa curva, haviam muitas pessoas reunidas num acampamento. Logo percebemos que viraríamos atração. Assim que paramos no local, começamos a ser cercados pelo pessoal, curiosos com aqueles malucos que estavam descendo o rio. Depois das apresentações, e muitas perguntas, as crianças que estavam no local ficaram ansiosas para dar uma voltinha no caiaque. Então, uma a uma, fomos colocando o colete, e davamos uma volta nas proximidades do rancho. Alguns gostavam de ir sozinhos, outros por serem menores ou por quererem uma volta um pouco maior iam comigo no caiaque para duas pessoas. O pessoal estava bem interessado naqueles navegadores, estavam só um pouco preocupados, como seguiria aquele grupo naquele rio bravo? Por vários momentos o pessoal pedia para ficarmos e almoçarmos juntos. Infelizmente não pudemos esperar, o tempo era nosso maior inimigo naquele momento, e queriamos continuar a viagem, o mais rápido possível.

Foi então que partimos, após as despedidas e um grande saco de laranja que nos foi dado de presente, seguimos nosso rumo, todos bastante tensos por causa da cachoeira do Meia Ponte. Estavamos tão tensos que perdemos a confiança na marcação de distância do GPS que dizia que a cachoeira se encontrava a cerca de 5 Km do local de partida, quase 1 hora de viagem. Confiando na explicação de uma das pessoas que estavam no rancho da curva, nos confundimos com a posição exata da cachoeira, pensamos que deveríamos parar após a primeira ilha que aparecesse, o problema é que assim que a ilha foi aproximando o desespero tomou conta da turma que estava na frente, foi então que fomos com os caiaques em direção a margem para tentar parar, o problema era que a velocidade do rio estava alta e por mais que remassemos para parar, o caiaque não parava, fomos batendo então nos galhos da árvores, entrando cada vez mais fundo nas margens alagadas do rio e correndo o risco do caiaque virar por causa da velocidade que batíamos no galho. Finalmente encontramos um remanso e paramos. No remanso, quando já estavamos bem próximos da margem, resolvi desembarcar, eu achava que o local era raso, fui descer do caiaque com o gps pendurado no pescoço, quando dei o passo para entrar na água eu afundei de uma vez, o local era muito mais fundo do que eu esperava. A corda do GPS arrebentou e por sorte o GPS caiu dentro do barco. De qualquer forma não haveria problema do GPS entrar em contato com a água, pois ele é a prova d'água. O problema maior seria se ele descesse rio abaixo. Passado o susto, puxei o caiaque para perto da margem e ali descansamos um pouco, imaginando o que poderia ter acontecido com nosso companheiro Paulo.  Eu e o Leonardo, que parou bem próximo da gente, tivemos então a ideia de tentar achar a tal cachoeira, foi então que entramos por uma estrada que seguia seu rumo para longe do rio, tentamos então descobrir um novo caminho e entramos dentro de um pasto, sempre orientados com o barulho do rio, sabíamos que não havia como nos perder. A medida que o barulho se tornava mais forte, entravamos na mata que margeava o rio para ver se a tal cachoeira aparecia. Infelizmente o barulho era apenas de corredeiras ou da água batendo no galho das árvores. Após uma longa caminhada por caminhos desconhecidos, e a ameaça de chuva e raios que nos amedrontava, descobrimos apenas que fomos precipitados, que a cachoeira não estava perto como havíamos imaginado, e todo aquele pânico gerado foi desnecessário, que poderíamos ter confiado na marcação do GPS e avançado um pouco mais. Não só descobrimos que ainda estavamos longe da cachoeira, como também que poderíamos descer até um certo ponto, onde o rio ficava mais calmo em uma das margens e de lá, novamente por terra, tentar chegar até a cachoeira. Resolvemos voltar e então avisar os companheiros as nossas descobertas.

No caminho de volta eu fiquei imaginando se estava tudo bem com o Paulo, o que havia acontecido, já que não escutamos sua voz após nossa parada. Na volta para o porto seguro descobrimos que nosso amigo Paulo havia ficado preso com o caiaque no meio da galhada num ponto mais atrás e estava bem. Felizmente todos estavamos bem, talvez um pouco amedrontados, mas nada de ruim havia acontecido, com exceção de um remo que foi embora na bagunça. Um novo desafio começou a se estabelecer a partir do momento que imaginamos como iriamos tirar o Paulo com seu caiaque do meio das galhadas. Uma das soluções era esvaziar o caiaque e sair por dentro da mata até o lugar seguro, onde o inflaríamos novamente. A outra opção era passar pelo meio das galhadas, de forma controlada, em meio ao nervoso rio. Essa segunda opção era a mais rápida, porém a mais complicada. Eu, Ernesto, resolvi encarar a segunda opção,  munido de colete salva-vidas e o Paulo com uma grande corda, eu fui primeiramente rebocando o caiaque até um ponto onde seria possível subir nele e tentar sair do local de forma segura. A água do rio nesse ponto estava muito forte e eu ia apoiando nos cipós que encontrava para conseguir levar o caiaque. Ao chegar num ponto que eu e  o Paulo consideramos ideal, subi no caiaque e o Paulo amarrou uma grande corda nele, essa corda seria segura pelo Paulo até eu sair de um ponto de galhadas e ter total controle do caiaque. Foi o que ocorreu e felizmente consegui passar incólume e chegar ao remanso onde o resto da turma estava.

4 - A cachoeira

Após algumas conversamos resolvemos seguir viagem até chegar na parte do rio onde era seguro parar. Nervos a flor da pele, algumas discussões aconteceram por conta do medo que insistia em imperar, nessas discussões eu e a Erica discutíamos porque ela não quis descer um pouco mais onde havia uma parada. Insistiu em ficar em um ponto onde era mais dificil sair, e foi andando a pé pelo meio do mato, e eu com um caiaque de duas pessoas e um de carga amarrado atrás fui deixado a própria sorte preso a alguns galhos que teimavam em me agarrar. Num surto de raiva eu remei com toda força e consegui me livrar daquela galhada, chegando ao ponto onde eu queria parar. Nesse momento, todo reunidos, eu, Paulo e Leonardo fomos em expedição procurar a temida cachoeira enquanto as moças ficaram indefesas na beira do rio, a espera dos maltratados em busca de informação.

Andamos durante um bom tempo pela margem do rio, atravessando brejos e pequenos córregos e também no pasto. Em uma dessas caminhadas pelo pasto, nosso amigo Paulo foi surpreendido por uma cascavel que avisou com seu guizo de que estava na área e não queria confronto. A cobra  partiu em fuga pelo mato, sumindo em poucos segundos. Continuamos a caminhada, meio temerosos com a possibilidade de novas cobras. Por sorte não avistamos mais nenhuma. Após a chegada em uma praia, tiramos uma foto do rio revoltoso, pouco antes da cachoeira. Na praia havia bastante garrafas pets, resultado do lixo jogado em Goiânia que viaja por vários quilômetros dentro do rio. O barulho no local era muito alto, o volume de água era enorme, sabiamos que estavamos chegando, mas ainda faltava mais caminho a percorrer. Quando estavamos no meio do mato conseguimos avistar a tal cachoeira. As águas do rio, violentas no local mostrava que existia razão para temermos aquela cachoeira, que apesar de não ter os 4 metros de altura como havia sido dito, possuia uma imagem que nos provocava ao mesmo tempo medo  e admiração. Depois de fotografarmos o local e olharmos um pouco como era a cachoeira e o rio logo  a  frente, chegamos a um pequeno rancho onde ficamos pensando o que fazer naquela situação. Teríamos que voltar e como já estava começando a ficar um pouco mais tarde não optamos por voltar pela margem e sim seguir uma estrada que, embora mais longe, provavelmente chegaríamos mais rápido e seria menos perigoso por conta de animais peçonhentos.

Logo no início de nossa caminhada nos deparamos com um grande lamaçal no meio da estrada. Nosso amigo Paulo pisou em um grande espinho de tucum, um tipo de palmeira com grandes espinhos, que passou até pela sola da sandália que ele utilizava, de qualquer forma achei bem interessante a experiência naquele grande lamaçal. Depois de sairmos de dentro da mata e caminharmos bastante houve uma divergência entre o Paulo e o Leonardo sobre qual caminho seguir. O Paulo dizia que seria melhor seguir a estrada até chegar até a uma fazenda e depois descer em direção a área onde havíamos deixado as meninas e todo o equipamento. Já o Leonardo achou que seria melhor seguir por um outro caminho que provavelmente era mais próximo, porém mais incerto. Após um certo mal estar, seguimos pelo caminho proposto pelo Leonardo. Durante nossa caminhada, em alguns momentos o caminho se tornava confuso e era preciso parar e analisar a direção a ser tomada. Tínhamos que nos apressar pois estava ficando escuro. Um momento tenso foi quando chegamos a um brejo e tivemos que atravessa-lo. Estavamos com sede e com fome. Em um certo ponto chegamos até um córrego que passava por uma espécie de vala, onde tivemos que pular. Continuamos até mais a frente. Começamos a gritar, chamando pelas meninas para ver a localização exata de onde elas estavam, pois desconfiavamos que elas estavam perto. Apesar de não ouvirmos resposta aos chamados, conseguimos chegar a uma estrada que por sorte nos levou exatamente onde estava nosso equipamento, a Erica e a Cristiane.

5 - O rancho e o João

Já estava escurecendo e fomos buscar um local para passar a noite. Havíamos avistado um rancho na descida do rio quando estavamos buscando um remanso para a parada. Fomos caminhando até o rancho, passando por uma trilha limpa. que chegava numa estrada maior que subia por um pequeno morro até a chegada ao  rancho. No rancho tentamos encontrar a pessoa que morava no local para podermos pedir autorização para ficarmos. Nesse meio tempo escutamos um barco descendo o rio. Como estavamos perdidos, sem nenhum idéia de que ponto a gente se encontrava, corremos para pedir ajuda para o pessoal do barco. Descobrimos que um dos barqueiros era um pescador que haviamos cruzado com ele num ponto bem acima, o Sr. João. O pescador João parou o barco e veio conversar conosco. Ficamos meio receosos no início, quando não sabíamos quem era, mas depois nos tranquilizamos mais. O João nos ajudou a trazer os nossos caiaques até o ponto onde nós estavamos, pois, trazer os barcos por terra seria muito mais penoso. Depois nos ajudou a subir os barcos até o rancho, além de nos ter orientado a dormir na varanda da casa, na parte de fora, para nos protegermos melhor. Quando a noite já havia caído o pescador João ainda matou uma cobra cascavel que espreitava a casa e poderia nos causar um problema sério caso alguém fosse picado naquele momento. Antes de ir embora, passamos pra ele o telefone de nosso amigo Renato, que estava em Goiânia e iria nos buscar num ponto muito mais abaixo para que o João avisasse que ele não precisava ir até o ponto marcado anteriormente, e para tentar nos resgatar no ponto onde estavamos. O pescador João então partiu e ficamos especulando se realmente ele iria ligar para o Renato e se iria voltar para nos resgatar. Naquele momento estavamos na mão do Sr. João.

Montadas as barracas na varanda da casa, fomos preparar algo pra comer, tomar banho e tentar pegar sinal de celular para falar com alguém. O nivel de estresse no acampamento estava alto, pequenas discussões começavam a todo instante, aquela situação não poderia continuar por mais que um dia.O Paulo então pensou em um plano B, ele iria ir caminhando até a cidade de Goiatuba e, caso o Sr. João não aparecesse, ele conseguiria orientar a ajuda até chegar a região. Não era uma missão nada fácil, primeiro, não havia referência sobre o lugar onde estavamos, segundo a distância era enorme, no minimo 40 Km e não havia água nem alimento suficiente para fazer o percurso com segurança. A noite uma forte chuva caiu, por sorte estavamos na varanda e a chuva não nos afetou. Fomos dormir e aguardar pela chegada do dono da chacara, ou pelo menos o caseiro. Veio a madrugada e ninguém chegou, o dia amanhaceu e novamente ninguém chegou. Logo pela manhã o Paulo decidiu colocar seu plano B em prática e partiu. Ficamos então, eu, a Erica, Leonardo e Cristiane na expectativa, pelo João e pelo Paulo. O dia então foi passando, providenciamos um almoço com alguns itens que encontramos na chacara e que estavam à vista, mandioca, arroz e macarrão, além de óleo que usamos para acender o fogo. Claro que depois deixamos um dinheiro no local para cobrirmos as despesas, além de algumas coisas que tinhamos e não iriamos precisar mais, como um saco de laranja e outros alimentos.

6 - O resgate

O dia foi passando, foi chegando a tarde e a noite ja apontava. Já estavamos conformados que iriamos ficar lá mais uma noite. Em um momento fomos caminhar por uma estrada, de repente percebi que meu celular estava com sinal. Tratamos imediatamente de fazer uma ligação e falamos com o Renato. Ele nos disse que já estava em Goiatuba e estava com o João que havia ligado pra ele e eles se marcaram de se encontrar na cidade. O João serviria como guia para o Renato. Perguntamos pelo Paulo e eles disseram que ainda não haviam o visto. Ficamos na expectativa e a noite chegou. Esperando a chegada do pessoal avistamos uma luz, eram eles que vinham caminhando pela estrada, ficamos muito felizes com a chegada. Depois de cumprimentar e agradecer bastante o João e o Renato, eles nos disseram que os carros estavam a mais de 2 Km de distância, pois eles não conseguiram passar de uma porteira que estava trancada. Voltamos ao acampamento e as coisas já estavam todas prontas. Cada um foi pegando um pouco das coisas, sendo que o João pegou uma carga muito pesada. Ficamos impressionados e agradecidos, já que além de ter cumprido com a promessa que ele havia nos feito, ele ainda nos ajudou bastante até o último momento. Para chegar aos carros, fomos caminhando por uma estrada totalmente escura, enlameada, e usavamos apenas a iluminação de duas lanternas de baixa potência e carregavamos bastante peso. Aqueles foram  2 Km super dificeis de transpor. Ao final da caminhada, ainda tivemos que pular a cerca para poder chegar aos carros que estavam sendo vigiados pelo nosso amigo Hugo que veio dirigindo um dos automóveis.Depois de colocarmos a carga dentro dos carros, começamos nossa viagem de volta até Goiatuba. Percebi que o carro ja estava na com o combustível na reserva. Estavamos no meio do nada e teriamos que rodar uma distância de cerca de 60 km. O carro estava cheio e estavamos dirigindo devagar por estradas que mais pareciam labirintos em meio a canaviais. Havia grande quantidade de lama e eu estava com medo de atolarmos. Após muito rodar na estrada de chão conseguimos chegar na rodovia. Percorremos mais uma grande distância, com bastante subidas, pois havia uma serra para subir até chegar a cidade. Avistamos a cidade, ja estavamos perto, subindo, quando o carro começou a falhar, o combustivel estava acabando. A subida então acabou, a estrada ficou reta. Avistei um posto de gasolina bem a frente. Como eu estava com medo de a gasolina que acabasse, eu ignorei um quebra-molas e chegando ao posto ainda errei a entrada, passando praticamente pela contramão. Finalmente entramos no posto e a partir dali eu vi que haviamos superado as maiores dificuldades.

7 - O reencontro, fim da aventura

No posto encontramos ninguém menos que o Paulo. Ele estava num estado terrível. Mas nos disseram que mais cedo ele estava pior ainda, bem sujo, por causa do caminho que ele passou. Ele nos contou de sua odisseia em meio as estradas, sobre os caminhos que percorreu e a distância, cerca de 60 Km a pé num único dia. Depois de todos reunidos, decidimos ir até uma pizzaria na cidade de Goiatuba. Depois de comermos a pizza, deixamos o Sr. João em sua casa, agradecemos por todo apoio e ajuda que nos deu, recompensamos ele e partimos de volta pra Goiânia, cansados demais, mas, no meu caso, eu não estava nem um pouco arrependido de nada que havia feito, na minha visão, uma aventura e tanto e, como disse o Paulo, aventura sem sofrimento é passeio!


 

   

A maior ilha do Meia Ponte

Escrito por: MePonte.Org
Em: 23/09/10

Alguns poucos sabem disso, mas o Meia Ponte é cheio de ilhas, são muitas, dezenas. A partir do município de Goiatuba é que elas passam a ser mais valorizadas. Em nossas expedições encontramos vários ranchos nas ilhas, alguns inclusive possuem uma infra-estrutura muito boa, até com energia elétrica. Nas minhas navegações pelo Google Earth descobri a maior dessas ilhas, ela está localizada bem próxima a foz do rio e é grandinha, a ilha ao todo, no período mais seco, chega a ter aproximadamente 610 metros de comprimento, olha que não é pouco não. Abaixo posto a imagem da ilha, que inclusive tem uma estrada e um rancho presente.

 

Utilizei a ferramenta para medir o comprimento. Percebam na tela que ele é cerca de 0,61 Km ou 610 metros.


 

   

O rio Meia Ponte depois de Goiânia.

Escrito por: Ernesto Augustus - MeiaPonte.Org
Em: 23/09/10

Certeza que poucos já fizeram essa pergunta, de como seria o rio após Goiânia. Na verdade a maioria não se preocupa nem mesmo em ver o rio aqui em Goiânia, já comprovei em perguntas que fiz para platéias onde discursei ou dei palestra. Na verdade tem pessoas daqui que nem sabem que bebem a água do rio Meia Ponte, tratada logicamente. Talvez se conhecessem o rio mais a frente, depois de ter passado por Goiânia, o conceito mudaria, pois o rio se transforma, volta a ser limpo e promove belas paisagens. Vou começar comparando duas imagens, uma do rio aqui em Goiânia e logo em seguida o seu tamanho próximo a foz.



A primeira imagem que temos do rio, visto do satélite é a do encontro com o ribeirão Anicuns, perceba que o rio nesse ponto tem apenas 20 metros de largura. Essa é a largura do rio em quase todo o seu percurso pela região metropolitana de Goiânia.  Circulei de azul a elevação desse ponto. Cerca de 699 m acima do nível do mar. Notaremos na próxima imagem o quanto o percurso do Meia Ponte é acidentado, favorecendo as belas paisagens com corredeiras e cachoeiras.



Nesse ponto a maior largura do rio é de 170 metros. Fiz uma comparação do tamanho desse ponto com a sede da fazenda, percebam o tamanho do rio comparado aos 20 metros de largura em Goiânia, são 150 metros a mais!! Veja agora a elevação, já está em 413 metros, veja o quanto o rio foi descendo. Abaixo publico uma imagem do rio no município de Pontalina, além de ser uma imagem de tirar o fôlego, para quem está lá é claro, a largura de apenas umas da corredeiras é quase da largura do rio em Goiânia! No caso abaixo o ponto selecionado tem 10 metros.



Na imagem abaixo, fiz uma medição um pouco antes das corredeiras, a largura e de 100 metros. E pensar que já passei nesse ponto de caiaque, pena que o rio estava muito cheio e não teve como ver essas maravilhas.



Abaixo está a imagem exatamente do ponto que mostrei nas fotos acima. A foto foi tirada no cair da noite e por isso ficou com uma aparêncio meio envelhecida. Esse ponto do rio é espetacular e só pode ser visto entre Junho e Setembro, quando o rio está mais baixo.


Publico abaixo mais uma imagem de corredeiras no rio, enormes por sinal, estando o rio com o nível mais baixo, suas águas ficam verdes e bem transparentes, em certos pontos você vê o fundo tranquilamente, mesmo quando se aprofunda. Fiz algumas desenhos comparando o tamanho da sede da fazenda com as corredeiras, o vermelho a comparação total, em amarelo, apenas uma casa, e em azul o curral. Também coloquei a largura um pouco antes da corredeira, que chega a ter 70 metros.
 


E para finalizar, abaixo está a foto do amigo Castilho no meio do turbilhão depois de uma das muitas corredeiras do rio, "Yes We Can!", a água estava ótima, esse é o rio depois de Goiânia, a poluição ficou pra trás!



Sem palavras!



Corredeiras e cachoeiras encantam nas 7 ilhas!


 

   

MeiaPonte.Org no Caderno Especial de Meio Ambiente do Jornal Diário da Manhã

Escrito por: Ernesto Augustus - MeiaPonte.Org
Em: 06/06/10

Cedo ou tarde o reconhecimento chega!

 


 

   

MeiaPonte.Org participa do Primeiro Seminário de Meio Ambiente do IFG

Escrito por: Ernesto Augustus - MeiaPonte.Org
Em: 01/06/10

No dia 01/06 o MeiaPonte.Org esteve no mini-auditório do IFG para falar sobre o seu trabalho a respeito da bacia do rio Meia Ponte. Casa cheia, falei um pouco sobre o projeto e fui mostrando fotos do rio e seus afluentes, e o quanto ainda precisa ser melhorado. A hidrografia da região foi fundamental para a escolha da capital, os primeiros desbravadores encontraram rios e córregos limpos, com bastante água, mas hoje em dia não há sequer um único manancial que não possua algum tipo de degradação em seu leito. É dever dos goianos, recuperar e preservar uma bacia que concentra em sua área de drenagem cerca de 50% de toda a população do estado e é dever da cidade de Goiânia, maior poluidora do rio, entregar aos municípios abaixo um rio limpo e conservado, que possa ser utilizado principalmente para o abastecimento de água para a população, mas também que sirva de lugar de encontro de famílias para o lazer.

Notícia do evento:


 

   

De Goiânia até hidrolândia pelo rio Meia Ponte

Escrito por: Paulo Castilho
Em: 23/05/10


Cleber, Ernesto e Castilho

A cada folga, final de semana ou feriado, o primeiro pensamento que nos vem à cabeça é "vamos descer o rio". Depois de tudo planejado lá estamos nós nas águas do rio que corta nossa capital, do qual nos orgulhamos ter, apesar dos inúmeros cuidados que ele precisa ter de todas as pessoas.


Vale das Pombas

Saimos do ponto utilizado por mim e pelo Hugo anos atrás, da ponte próxima ao Vale das Pombas. O lugar é bonito e conta com uma pequena cachoeira formada no encontro de um pequeno córrego com o rio.


A pequena cachoeira


  Pneus jogados no leito do rio.

É impressionante a quantidade de lixo nas águas, mas o que mais nos chamou a atenção foi o número de pneus nas margens. Com a diminuição do nível das águas no período da seca, todo o lixo que antes estava submerso começa a aparecer. A imagem acima é uma constante nas proximidades do perimetro urbano.



Saimos de Goiânia as 9 horas da manhã. A distância a ser percorrida seria de 53km.



O rio oferece visões surpreendentes, como esta formação rochosa na margem esquerda. Com mais de 8 metros de altura, forma uma espécie de caverna próximo da linha d'água. Ficamos ali por aproximadamente uns dez minutos, apreciando a beleza do local. Percebemos nascentes que escorrem pela rocha. O local é habitado por pequenos morcegos.


Águas cristalinas escorrendo pela rocha


Pausa para descanso na formação rochosa


Cleber e Ernesto observando as pegasdas na areia de uma pequena praia do afluente.

Na subida de um dos afluentes do rio, em sua margem direita, nos deparamos com pegadas que tudo indica ser de onça.



Um sério problema. De Goiânia até Hidrolandia contamos a existência de 12 dragas de areia. A área próxima a elas está bem danificada e o assoreamento do rio pode ser sentido até mesmo com os leves caiaques.



Um dos momentos mais agradáveis de nossa viagem foi o prazer de poder tentar subir o rio Caldazinha ribeirão Caldas, com suas águas limpidas e forte corredeira. Nas proximidades encontramos muitos pescadores. Os peixes na região podem ser percebidos através dos pulos que eles dão para fora da água, próximos dos caiaques.
 


Devido as pausas para descanso, explorações de afluentes e alguns contratempos, acabamos demorando mais do que previamos. A viagem, que segundo nossos planos deveria terminar por volta das 17 horas, acabou acontecendo na "boca da noite". Pude assim saciar a minha vontade de remar durante a noite, experiência que não quero repetir. A visão é quase nula e o risco de chocar com pedras ou galhos submersos é grande. O barulho de água batendo em rochas nos deixa apreensivo.


Breu total.



Conseguimos chegar na ponte que liga o município de Hidrolandia ao de Bela vista por volta das 18 horas e quarenta minutos.

Como vem sempre acontecendo nas aventuras anteriores, desta vez tivemos a participação de mais um convidado, Cleber, que ficou tão empolgado ao ponto de dizer que irá comprar um caiaque para realizar outras viagens como esta. É isso que queremos. Quanto mais pessoas praticando o mesmo esporte que nós, mais pessoas se conscientizaram da necessaidade de cuidar de nossas águas. Quem ainda não se sensibilizou é porque não conhece o problema (que é uma realidade).

Alguém mais se habilita para nos acompanhar na próxima aventura?


 

   

Expedição no Meia Ponte - Vale das Pombas à Hidrolândia

Escrito por: Ernesto Augustus
Em: 23/05/10

Domingo 23 de Maio de 2010, o MeiaPonte.Org se preparou para mais um trecho a ser percorrido no rio Meia Ponte, o percurso partiu da ponte do vale das pombas no município de Senador Canedo até a ponte da estrada que liga Hidrolândia a Bela Vista, o total percorrido foi de 53 Km em caiaques infláveis. O tempo exato do trajeto foi de 9 horas, 35 minutos e 34 segundos, com uma média de deslocamento de 6,4 Km, velocidade máxima de 12,3 Km e horário de nossa chegada as 18:35:00 em total escuridão.

Essa expedição para mim foi a mais reveladora a respeito do rio até o presente momento, uma verdadeira aula de biologia, quimica, sociologia, etc. Sempre tive vontade de conhecer o rio Meia Ponte em seu ponto mais crítico, ponto onde ele já se despede de Goiânia, mas carrega consigo uma grande carga de poluentes, uma triste contribuição que a capital do estado, que retira do rio parte da água para o seu abastecimento, lhe dá  em resíduos sólidos ou líquidos, numa atitude egoísta que prejudica os municípios abaixo que ficam sem poder utilizar suas águas para os mais diversos fins.

A partida se deu por volta das 9 horas da  manhã de um dia ensolarado. As águas do rio se encontravam relativamente claras e com um leve odor provocado pelo lançamento de esgotos rio acima. Nessa descida tivemos a presença de nosso ilustre amigo Cleber Oliveira, que já avisou que nas próximas expedições vai marcar presença, logo no inicio percebi que meu caiaque estava com problema de vazamento em umas das válvulas que impedem a saída de ar do caiaque, como se já não bastasse o caiaque do Cleber estava com um pequeno furo na parte posterior, um furo de dificil reparo e que mais adiante provocaria alguns transtornos, principalmente para o Cleber.

Iniciada a descida, a visão que tivemos foi de um rio feio, bastante maltratado, com suas margens bem deterioradas devido a erosões, que são causadas por um volume de água muito grande que chega ao rio, fruto da impermeabilização da cidade e também pelo assoreamento do leito do rio, cujo fator prepoderante sãos os sedimentos que vem através de seus afluentes que também se encontram em deplorável estado. Em muitos momentos o fundo do caiaque tocava o leito do rio e em uma situação engraçada o caiaque do Cleber ficou encalhado no meio do rio, onde ele desceu e aproveitou para dar um enchida nele, já que a embarcação estava furada. Outra imagem que tivemos também foi a de sacolas plásticas penduradas nos galhos das árvores por mais de 20 Km a partir do trecho de onde a expedição saiu. A chuva lava as ruas da cidade e carrega consigo grande quantidade de lixo, o rio cheio  chega até a copa das árvores e as sacolas ficam presas e são reveladas quando o rio volta ao seu nível normal. A cena causava tristeza e sempre nos fazia lembrar que estavamos navegando em um rio poluído, com lixo preso nas árvores e muita erosão.

Mas não eram só sacolas que estavam presas não, encontravamos de tudo nos galhos, velocípede, carretel para fios ou cordas grandes, tora de madeira, garrafas plásticas, pneus e muitas outras coisas, e por falar em pneus nas margens do rio, em algumas praias chegamos a encontrar dezenas deles degradando ainda mais a já desgastada imagem do Meia Ponte. E como o que está ruim pode piorar, contamos cerca de 12 dragas de areia nesse curto trecho de 53 Km e confirmando o estrago que esses equipamemtos causam, as partes mais deterioradas do Meia Ponte eram justamente onde elas estavam, pois além da destruição no leito do rio, uma grande faixa de mata ciliar é removida para os mais diversos fins.

Como a água do rio possui grande carga de poluentes, era muito comum ver espuma em suas águas, inclusive o próprio ato de remar já as produzia, e nos trechos de turbulência em suas águas mais espuma era gerada. Interessante foi ver que cerca de 35 Km depois do nosso ponto de saída a espuma já não era mais produzida no rio, o que já demonstra que as águas já haviam sido um pouco depuradas pelos mais diversos fatores, além do que o odor no rio diminuiu drasticamente.

Apesar de toda a feiura que vimos durante a descida o rio nos proporciona belas visões, como paredões rochosos imensos na margem do rio, com nascentes que escorrem pelas pedras e caem direto nas águas do rio e que ajudam na renovação de suas águas, além do que existem vários afluentes de águas limpas que em alguns casos produzem verdadeiros espetáculos de beleza em suas entradas triunfantes em forma de cachoeiras que caem no Meia Ponte e renovam a vida. Interessante também foi ver enormes peixes, que até nos assustaram em alguns momentos, pulando fora d´agua e entrando novamente, essa cena se repetiu em torno de 5 vezes, como se os peixes tentassem nos entreter, dizendo, "olha, estou feliz por estarem aqui, salvem este rio!". Vimos também bastante aves, e inclusive uma nos chamou a atenção: era um pássaro branco com o bico azul, não era tão arisco como os outros e até nos deixou aproximar bastante para que pudessemos ver melhor. Em vários momentos também vimos paredes de rocha pequena, pedrinhas encaixadas que lembravam algo feito pelo homem, mas ali não tinha toque nenhum do humano, era a natureza que esculpiu verdadeiras obras de arte para nosso deleite.

Bem interessante também foi notar o tanto que o rio é desprezado enquanto este se encontra nas proximidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia, mas que com o distanciamento dessas cidades e a depuração de suas águas, as pessoas já passam a valoriza-lo novamente. Encontramos em nossa descida, grupo de pessoas pescando, em torno de 20 grupos, cada um possuia entre 2 e 4 pessoas, alguns em acampamentos completos, com barracas e toda  tralha para uma boa pescaria, passavamos comprimentando e brincando com o pessoal em alguns momentos, os pescadores começaram a aparecer principalmente após o ribeirão Caldas desaguar no Meia Ponte. O Caldas possuia uma bacia super preservada e por isso é responsável pela grande renovação das águas do Meia Ponte, traz organismos benéficos ao rio, além de ajudar na oxigenação de suas águas.

Mesmo com toda a pressa que estavamos para chegar antes do anoitecer, ainda pudemos tirar bastante fotos, contemplar paisagens, nos divertir, cansar demais, ficar aflitos pela chegada. Mas apesar de todos os esforços só fomos chegar na ponte de Hidrolândia na calada da noite, andamos mais de 15 minutos em completa escuridão, bastante tensos por medo de se chocar com pedras ou galhos submersos. Na chegada nosso amigo Cleber ainda chegou a cair no rio, um pescador nos indicou o melhor caminho para descermos na margem e ainda iluminou um pouco nossa chegada. Apesar da exaustão de todos, ainda tivemos que carregar os caiaques morro acima para alcançar a estrada e esperar nosso apoio que era o Renato Rodrigues para nos buscar e nos levar de volta ao conforto de nossas casas. Fiquei muito feliz por ver que dos 35 km a frente o rio já estava com características de um ambiente pouco explorado pelo homem, com quase nenhum odor em suas águas, sem espuma, com bastante peixe e ainda uma mata ciliar bem mais preservada. Estaremos de volta em breve a ponte de nossa chegada, para continuar nossa expedição, dessa vez até a ponte de Piracanjuba, e de lá até Rochedo, onde tudo começou, pelo menos para o MeiaPonte.Org.


 

   

Encontros e Desencontros

Escrito por: Ernesto Augustus
Em: 07/03/10

Como o nasceu o Portal MeiaPonte.Org e as histórias das novas expedições pelo rio Meia Ponte e afluentes

Tudo começou há menos de 1 ano, em Julho de 2009. Eu um defensor do rio Meia Ponte havia escutado histórias de pessoas que haviam descido o rio. Uma das histórias eu li no jornal Diário da Manhã e desde então fiquei pensativo: "eu tinha que encontrar essa pessoa". Foi então que o primeiro lugar que comecei a procurar foi na internet. Felizmente minha busca não foi muito longe. Deparei-me com a história da descida de Paulo Castilho pelo rio Meia Ponte no blog goiania-goias.blogspot.com. Li no blog as aventuras e desventuras do Castilho pelo rio. Não perdi tempo, foi então que enviei uma mensagem no dia 18 de Julho de 2009, e dois dias depois para minha surpresa o Castilho respondeu. Fiquei muito feliz, claro. Afinal de contas eu consegui encontrar um amigo que poderia compartilhar comigo suas experiências sobre rio e de quebra poderiamos chegar ao Paranaíba, foz do rio Meia Ponte.


Abaixo o e-mail que enviei para o Paulo:

Boa noite Paulo,

Conheci seu blog hoje, e foi uma pena não ter conhecido há mais tempo. Percebi que você fez por mais de uma oportunidade a descida do Rio Meia Ponte. Já faz tempo que tenho essa vontade mas nunca tinha encontrado ninguém pra esse tipo de "aventura", que no meu caso seria também em caráter de conhecimento, estudo e por que não aventura mesmo. Tenho um site que fala sobre ecologia, o www.guiaecologico.com.br. Mas já tem um tempo que não mexo nele, na verdade não sobra muito tempo. Tenho uma vontade muito grande de deixa-lo recheado com informações, inclusive tava pensando em tirar fotos dos córregos de goiânia com os pontos e coloca-los em algo como um google maps pro pessoal que tiver curiosidade, ver como é determinada parte do córrego em alguns pontos do mapa. Mas ainda é um projeto, quero muito que as pessoas vejam que nossa cidade é um oasis, com uma micro bacia hidrografica imensa, mas que esta totalmente degradada. Precisava de uns parceiros nessa empreitada. O canal tá aberto, quem sabe podemos conversar depois. Té logo, abraço! Já favoritei o blog aqui.

Ernesto Augustus


  E a resposta dele:

Caramba, Ernesto. Obrigado por ter entrado em contato.
Pode ter certeza de que a gente precisa sentar pra conversar.
Ainda não cheguei ao Rio Paranaiba pelo Meia Ponte, mas ainda vou realizar essa aventura.
Ando meio focado em outras viagens e o Meia Ponte acabou ficando em segundo plano.
Acabei de chegar de viagem do Rio dos Bois. Vou fazer uma descida por ele.
Sua idéia sobre os córregos é sensacional. Tenho um trabalho hiperdetalhado sobre um córrego de Goiãnia (se não me engano é o Cascavel). Vou ver se encontro em meus arquivos. Fala tudo... nascente, pontos na cidade e foz.
Você sabe porque o ribeirão João Leite tem esse nome? Depois eu te conto.
Seria legal vc entrar em contato pra gente poder conversar. Vamos marcar uma descida pelo rio em quqlauqer final de semana desses. Tô com um caiaque e uma canoa canadense. Só preciso de transporte para levá-las até o rio e buscar mais embaixo.


Desde então já participamos de várias expedições, novas pessoas entraram na empreitada e as aventuras poderão ser acompanhadas aqui nessa sessão do site. Já temos bastante material e texto para ser colocado, a cada nova aventura, uma nova postagem. Quem tiver interesse de participar também basta entrar em contato conosco. Fazemos esse tipo de trabalho porque gostamos e porque o rio pede por socorro. Queremos sensibilizar as pessoas de que o rio Meia Ponte é muito mais do que poluição, o rio é vida!


Da esquerda para a direita: Renato Rodrigues, Paulo Castilho e
eu, Ernesto Augustus


 

   

Rumo a Foz do Rio

Escrito por: Paulo Castilho
Em: 17/02/10


Paulo Castilho

No dia 23 de abril de 2004, após longos anos de vida sedentária, resolvi que iria descer o rio Meia-Ponte de canoa a remo. Sem nenhuma experiência ou informação sobre o trecho a ser percorrido, eu e um amigo (Ronilson) fizemos o trecho da ponte da rodovia GO-020 até o lago da usina Rochedo (ver artigo publicado em um dos primeiros posts deste blog).


Usina do Rochedo

O resultado foi tão agradável que resolvi fazer outro percurso, desta vez da cidade de Goianira até a ponte do município de Pontalina (também em artigo deste blog). A minha maior dificuldade em todas essas descidas era encontrar um companheiro para me acompanhar, uma vez que não é aconselhável fazer esse tipo de aventura sozinho.


Ernesto Augustus

Para a minha felicidade, no anos de 2009, encontrei minha "alma gêmea" de aventuras... o amigo Ernesto. Esse sujeito, que parece ser movido pelo mesmo espírito de aventura que me possui, foi o meu grande achado. Juntos a menos de um ano, já realizamos reconhecimentos pelos córregos de Goiânia que desaguam no Meia-Ponte (ver artigos no site www.meiaponte.org) e descemos uma grande parte do rio que ainda não conhecíamos. A nossa idéia é descer até a foz, no rio Paranaíba (a remo).


Roberto Bacin

Em Janeiro de 2010, fizemos nosso primeiro trecho (eu e Ernesto), da usina do Rochedo até a ponte do município de Pontalina (trecho onde eu havia cometido alguns erros em expedição passada, sofrendo um "naufrágio" e sendo aconselhado por pescadores a não prosseguir no trecho abaixo - que segundo eles era perigoso naquela época do ano: mês de Maio).


Estrutura de madeira para a prática de pesca, muito comum neste trecho.

O percurso percorrido foi de 28.5 km, feito em um período de cinco horas e trinta e quatro minutos, numa média de 6.5 km por hora, atingindo nas corredeiras a velocidade de 17.2 km. Como nossa idéia é divulgar a beleza do rio e a possibilidade da prática de remo, sempre convidamos um amigo para nos acompanhar. Neste dia estava conosco o amigo Roberto Bacin, que nunca havia remado antes em sua vida e que ficou maravilhado com a experiência, tanto que repetiu a dose na aventura seguinte.


Roberto em plena atividade

O trecho abaixo da ponte da rodovia BR-153 é um dos mais perigosos, tendo três pontos críticos, mas todos foram vencidos com o uso dos nossoa caiaques. Embarcações a motor teriam dificuldades mesmo nesse periodo, onde o rio tem bastante água. As etapas foram realizadas em dias diferentes, sempre nos finais de semana. A segunda etapa foi realizada da ponte de Pontalina até a ponte do município de Aloandia.




Dois momentos de margens sem proteção vegetal

Desta vez fomos acompanhados por Roberto e seu professor de Educação Física, Hamilton Caetano. O trecho de 48.2 km foi percorrido em oito horas de remadas, mantendo a velocidade média do trecho anterior. Segundo os moradores da região iríamos enfrentar dois ponto críticos, uma tal de Bica do Sirí e a região das Sete Ilhas, que fica no quilômetro 40.5 . Felizmente, devido ao volume de água, passamos por estes dois trechos sem maiores problemas. É uma região cheia de corredeiras porém sem grandes obstáculos (pedras).


Três pontes na BR-153

A terceira etapa foi realizada nos dias 13 e 14 de Fevereiro. O trecho de 46 km poderia ser feito em um dia, mas decidimos fazê-lo em rítmo de "passeio", pois desta vez levamos conosco a noiva do Ernesto, Érica, e o amigo jornalista, Renato. Contamos com apoio do amigo Luciano Almeida, morador de Aloandia, que nos ajudou fazendo o trabalho de apoio de terra. Não bastando o trabalho de ter que nos levar e buscar no rio, sua família ainda nos ofereceu um farto lanche em nosso retorno à cidade. Fica aqui nossos agradecimentos.


Belíssimo trecho após o primeiro momento de dificuldade (abaixo das pontes)

Na Semana Santa estaremos fazendo o percurso de Goiatuba até a Rodovia Ronan Alves Borges (Itumbiara-Jataí), que tem uma média de 75 km, e deverá ser feito em dois dias. Fica aqui o nosso convite para todos que quiserem participar da expedição. Ficará nos faltando percorrer um trecho de mais ou menos 47 km até o rio Paranaíba.


Lixos acumulados nas margens. Presença constante em todo o leito do rio.


Trecho próximo da ponte de Pontalina (abaixo do rio Dourados). No período da seca é complicado passar por aqui. Na ilha que existe abaixo deste ponto não se deve, de maneira alguma, passar pelo lado esquerdo. O lado direito deve ser escolhido e mesmo assim a atenção terá que ser redobrada.


Ponte no município de Pontalina


Lixo plástico marcando presença.


Águas transparentes logo abaixo da ponte. No local um belíssimo balneário particular.


Os maiores obstáculos são as pedras, que nesta época do ano estão submersas.


Garrafas plásticas... uma longa viagem pelo rio. Presentes praticamente em todo o trajeto.

Barreiras de contenção construídas no leito do rio no município de Goiânia resolveria grande parte deste problema. Um bom local para se colocar a principal barreira seria na antiga usina do Jaó (acredito que seriam necessárias mais duas barreiras, uma acima e outra abaixo deste ponto).


Ponte no município de Aloandia.


Equipe de apoio e alguns integrantes da expedição: Hamilton, Roberto, castilho e Fabio pai e júnior.


Renato Rodrigues (em sua primeira aventura nas águas do rio), Castilho e Ernesto.
Excesso de bagagem.



Noite tranquila em uma pequena ilhota, habitada por uma família de capivaras, que se viram obrigadas a dormirem na ilha vizinha.


Um belo amanhecer. recompensa para todo o esforço.


Uma das inúmeras habitações encontradas nas ilhas do rio.


Praias começam a se formar. Quem conhecer essas maravilhas pensará duas vezes antes de ter que se deslocar até o longinquio Araguaia.


Farofeiros do rio... uma parada para saborear farofa.


Chegando às margens do rio na ponte de Goiatuba.


A ponte do município de Goiatuba.



Acampamento de pescadores na margem direita do rio. Muito lixo e árvores cortadas. Falta bom senso e uma campanha educativa (e muita fiscalização). Durante todo o trajeto, nas diversas vezes que descemos o rio, não avistamos nenhuma espécie de fiscalização. Encontramos sim dezenas de pescadores com peixes abaixo da medida e até mesmo embarcações arrastando redes pelo rio.


 

   

O dia em que fui apresentado ao Meia Ponte

Escrito por: Ernesto Augustus
Em: 05/01/10

Sábado, dia 02/01/2010, um dia após a ressaca de ano novo, iniciamos a nossa jornada rumo a Rochedo, uma aventura, além de conhecer a região tínhamos uma missão, testar caiaques inflaveis pra nossa expedição maior no rio Meia Ponte no próximo mês. Partimos de Goiânia por volta de 09:30 da matina, cerca de 90 Km nos separavam de nosso destino, eu nunca tinho ido até região, primeira vez, ao chegar ao local logo empolguei com a visão, um rio cheio com águas revoltas e barrentas, resultado das últimas chuvas, famílias sorridentes e pescadores alegres com a captura de peixes.


Cataratas do Rochedo. fala se não intimida?


Eu e meu possante caiaque

Logo um leve frio na barriga tomou conta. pensei eu descendo de caiaque aquele rio intimidador. Eu e meu amigo Paulo Castilho fizemos algumas filmagens e fotos do local, conversa vai, conversa vem, decidimos que era hora de colocar os barcos na água... do lago é claro, primeiro iríamos testar a estabilidade dos "bichos", era pra ter certeza que tudo ia correr bem. Meu caiaque foi cheio de tralha, já na primeira viagem. Tinha Maquina fotografica, filmadora, GPS, filtro solar, garrafa de água, latinha de refrigerante, toalha, tudo pra garantir a hidratação, a proteção e as imagens. Iniciamos o passeio e o frio na barriga aumentou, o medo de que o caiaque virasse já na primeira marolinha também. Medo utltrapassado seguimos nosso rumo em direção a um pier que não podemos chegar pois o caminho até lá estava tomado por mato, e plantas aquáticas, experiencia abortada continuamos rumo a entrada do lago, passamos por formações de vegetação, marolas um pouco maiores, batismo de jogada d'água em mim, sede, pois não conseguia alcançar minha garrafa d'água e muito,  muito esforço pra manter o caiaque reto devido ao vento.


Amigo Paulo Castilho. Manda um tchau pro povo!


Lago de rochedo. Pensa num lugar  bom!

Vimos um monte de garrafas plasticas acumuladas no meio dos capins e repolhos d'água, visão triste do que o goianiense costuma fazer com seu rio. Prosseguimos, andamos cerca de 5.5 KM até uma parte onde foi impossível continuar. A correnteza estava muito forte, tivemos que voltar, o retorno foi mais rápido, pois estavamos a favor da corrente, devemos ter percorrido mais uns 3 Km na volta. Garanto que todo o esforço foi recompensado.


Se o lixo que flutua já é muito, imagina o que tem debaixo d'água?
Sinto vergonha por quem joga lixo na rua



Existem muitos jaburus na beira do lago. É uma ave imponente


O problema é que não ficou só nisso, queríamos mais, já estávamos seguros no caiaque e como diz meu amigo Paulo Castilho, aventura sem sofrimento é passeio. Vou contar uma coisa, como me aventurei esse dia. Não vou esquecer tão cedo, foi aventura a valer, o passeio ficou longe. Resolvemos então que tínhamos que descer o rio até a ponte da BR 153. Botamos os caiaques na água e seguimos o rumo, correnteza forte, rio cheio, nossa descida foi das mais tranquilas, pudemos apreciar a paisagem, contemplar a força e o tamanho do rio, rir das situações e nos torrar ao sol, apesar de ter passado filtro solar eu ainda consegui queimar algumas partes que ficaram desprotegidas ou o filtro perdeu o efeito após um tempo de exposição. Após curvas, voltas, corredeiras, ilhas, decisões a tomar, chegamos ao nosso destino, a ponte. O Paulo no auge de sua experiência parou o caiaque de maneira exemplar, e ficou tranquilo, eu cheguei com tudo achando que quanto mais rápido chegasse, maior a chance de não ser levado rio abaixo, ledo engano, na minha chegada, percebi que o rio não gosta de pressa, só vi a pilastra da ponte crescendo em minha direção e só tive tempo de dizer tchau, e deixar ser levado. Naquele momento achei que o caiaque fosse virar, mas não virou, então me preocupei só em achar um lugar para parar antes que eu ficasse longe demais do ponte de chegada. Procurei um ponto onde a água se tornasse parada ou ficasse em circulos para fazer meu desembarque, por sorte achei o ponto bem perto e atraquei, agarrei com força a pedra e pensei, é aqui mesmo. Sai da água e esvaziei o caiaque para o transporte.


Ponte na BR 153. No dia que chegamos nesse ponto o rio
estava passando por cima dessa terra encobrindo parte da pilastra


 É aqui que começa a parte da aventura propriamente dita, eita sofrimento, 12 Kg nas costas mais remo, durante 8 KM, entre subidas e descidas até voltar a cidade não tem preço. Por sorte eu não me arrependi do passeio, valeu a pena o esforço, me senti quase num triatlo, com a modalidade levantamento de peso enquanto caminho. Ainda pegamos chuva no percurso. O Paulo estava com um caiaque mais pesado que o meu, mas felizmente ele é maior que eu e também mais empolgado nesse ponto, o que ajuda muito. Chegando ao destino pegamos o carro e voltamos pra Goiânia, loucos para chegar em nossas casas e tirar um belo de um merecido sono após 10 horas de esforços.
 


 

   

Testando os caiaques INTEX

Escrito por: Paulo Castilho
Em: 04/01/10

 Abaixo uma bem humorada postagem de Paulo Castilho sobre as embarcações usadas para desbravar o Meia Ponte.


Embalagem muito prática para transporte

Os preparativos para a descida do rio Meia-Ponte no carnaval de 2010 estão em andamento. Pessoas interessadas em se unir ao nosso grupo tem surgido a cada dia e provavelmente a equipe será composta de no mínimo quatro embarcações (um total de seis pessoas). O mais novo integrante de nossa equipe é o amigo Roberto Baccin (seja bem-vindo, amigo).


Visão frontal da embarcação

Novos caiaques foram adquiridos, dessa vez dois da empresa INTEX. São caiaques infláveis, que ainda não haviam sido testados por nós. No dia 02 de janeiro fomos (eu e Ernesto) até o lago da Usina do Rochedo para fazer o "test-drive" das novas embarcações.



K-1 e K-2. Proporção de tamanho.

O dia amanheceu com um belo sol. Ao longe, nuvens negras davam sinal que poderiam desaguar no final da tarde.


Depois de desembalado. Muito prático.

Minhas experiencias anteriores foram adquiridas com uma canoa canadense de fibra. Usar caiaques infláveis me deixou curioso. Chegamos ao lago por volta do meio-dia. Inflamos as embarcações e caimos n'água. As margens estão infestadas de vegetações aquáticas, aliás, muito mais do que das três vezes anteriores que visitei o local. Fizemos um percurso de subida de 5 quilômetros, dando uma volta extensa pela margem direita do lago. Fomos até a parte onde o rio começa a formar o lago. Após tentativa de continuarmos subindo, desistimos. A correnteza é forte e as embarcações muito leves.


Ernesto em momento de descontração.

Voltamos daquele ponto, fazendo um percurso menor pela margem esquerda (quase quatro quilômetros). Durante a descida decidimos que iríamos descer continuar o percurso abaixo da barragem, indo até a ponte da BR-153 (um percurso de 16Km).


Paulo Castilho. Ao fundo, Ernesto, aproveitando o conforto do K-1

No exato momento em que chegamos a margem, começou uma leve chuva que perdurou por toda a tarde, tornando impossível o registro através de fotos ou vídeo.


Excelente nível de água no reservatório da usina do Rochedo.

O trecho percorrido está completamente diferente que o da última vez que desci. Desta vez, com o rio cheio, todas as pedras (que são muitas) estão submersas. A correnteza é forte e o rio cheio de rebojos. Vários remansos se formam ao longo do percurso.


Linha amarela mostra o percurso de subida.
O vermelho foi o nosso retorno.


Conseguimos chegar até as pontes (hoje são três, duas novas e a antiga). O Ernesto teve dificuldades de atingir a margem sob uma das pontes e rodou por mais alguns metros, só conseguindo sair do rio abaixo das pontes.


Trecho do rio abaixo da usina.

Como não tínhamos equipe de apoio em terra, tivemos que carregar os equipamentos (caiaque e remos) por um percurso de oito quilômetros a pé. Fomos pegos por uma forte chuva, que acabou ajudando no sofrimento da volta. A distância não foi problema e sim o peso dos caiaques (sem falar no desconforto de carregá-los sobre a cabeça).


Notem a proximidade da rodovia com o leito do rio;

AVALIAÇÕES DAS EMBARCAÇÕES

. Utilizamos dois tipos de caiaques da INTEX, um monoplace (K-1) e um biplace (K-2);


Trecho do rio conhecido como Volta Grande.

. O K-1 foi utilizado pelo Ernesto, que pesa menos de 80 quilos. O K-2 foi utilizado por mim, que peso 90 quilos;


No período de seca este é um dos trechos mais difíceis.

. A idéia de se utilizar um biplace foi justamente pelo fato do excesso de peso (pessoa mais equipamento - que excede os 100 Kg);

 
Neste trecho é possivel ouvir e ver os caminhões que passam na rodovia.

. As embarcações são muito leves, o que torna o atrito com a agua bem menor, causando uma certa falta de manobrabilidade das mesmas. Em áreas de corrente fica difícil manter o rumos, principalmente em remansos;


Ponto de chegada, BR-153.

. O K-1 saiu-se melhor que o K-2. A falta de peso na dianteira do K-2 foi fatal para o seu desempenho ruim, ou seja, ou se coloca outra pessoa na frente ou se usa o espaço que sobra para carregar equipamentos (fazendo um contra-peso).


Visão geral da região. A rodovia (à esquerda) e o leito do rio (à direita).

. Em termos de conforto não existe embarcações melhores. O K-2 possibilita até mesmo que se durma dentro do mesmo, bastando para isso que se utilize uma lona sobre ele. Durante as longas remadas as costas ficam apoiadas em um banco inflável de maneira completamente confortável, ao contrário da canoa de fibra.



Trecho em amarelo feito de caiaque, em vermelho foi feito a pé.

 Apesar dos pontos negativos, as embarcações foram aprovadas.


Trecho abaixo da represa.

Para quem quiser adquirir os caiaques utilizados nesta aventura devem entrar no site da Submarino através do banner existente no blog www.hqpoint.blogspot.com, que desta forma estará ajudando a nossa equipe. O preço é bem acessível. Confira!


Na placa: "Talvez o lixo que você vê aqui, foi jogado por você em Goiânia.
Pense nisso."


Pessoas interessadas em se unir ao nosso grupo são muito bem-vindas. A descida de Goiânia até Aloandia será no feriado de carnaval.



PARA ONDE VAI O LIXO DE GOIÂNIA?


O que é aquilo? Toddy? Coca-Cola?

Ao chegar às margens do lago da usina Rochedo, uma placa fixada em uma árvore chamou minha atenção: "Talvez o lixo que você vê aqui, foi jogado por você em Goiânia. Pense nisso."  (veja foto no artigo acima)

Aquilo parecia um aviso de preparação para o que iríamos ver na parte superior da barragem. O que vimos é simplesmente assustador e nos faz acreditar MAIS ainda na necessidade de se criar no rio, nos municipios acima da usina, barreiras de contensão de lixo flutuante, uma ação fácil e barata de ser executada.



Água mineral é Nativa (?!) do lago?

Outra alternativa seria as empresas que produzem tais lixos (de refrigerantes, produtos de limpeza e alimentos) fazerem promoções para recolherem tais embalagens, por exemplo, empresas de refrigerantes ao invés de pedirem as tampinhas em suas promoções, pediriam o vasilhame completo. O mesmo pode ser feito por outras indústrias. Você compraria um produto que te premiaria (um produto semelhante em troca das embalagens vazias) caso você devolvesse ao comércio "x" embalagens? Empresas de reciclagem podem e devem ser envolvidas nessas campanhas.


Êpa! Isso não é lixo. Sou eu.

Tá certo que a grande culpa de tais lixos estarem por aí é dos consumidores, que não tem a mínima educação (nem arrisco falar "cultura") e descartam o lixo pelas ruas. Cabe a você evitar que essa sujeira continue. Faça sua parte.


 

   

RIO MEIA PONTE - GOIANIRA-GOIÂNIA-ALOÂNDIA 2005

Escrito por: Paulo Castilho
Em: 17/04/06

SEGUNDA PARTE

 


Hugo Leonardo Albuquerque, o parceiro que enfrentou a aventura a partir
de Goiânia

Após descansar na segunda-feira, prosseguimos viagem na terça, 18 de abril. Ano passado nosso ponto de partida foi a chácara do amigo Gioveroni. Neste ano decidimos sair um pouco abaixo, na ponte de concreto que liga o Vale das Pombas (Goiânia) ao município de Bela Vista.

O momento da nossa partida. Mais uma vez, o nosso amigo Janderson foi peça fundamental em nossa aventura.

Como a quantidade de chuva desse ano foi maior que a do ano passado, a quantidade de água está maior e a margem está mais baixa, o que facilitou nossa saída deste ponto. Saímos do local às 11:30 horas.


Assim que saímos, poucas curvas abaixo, deparamos com uma
margem (direita) com sinais de extração de areia.

Por ser a primeira vez que o Hugo pega em um remo, pensei que a viagem deste ano duraria mais que os três dias que gastamos no ano passado. Em um balanço geral, cheguei à conclusão de que gastamos apenas três horas a mais que a viagem anterior.

Notei que aumentaram os pontos de retirada de areia. Ainda dentro do município de Goiânia, deparamos com dois homens que faziam a retirada manualmente. Nós os cumprimentamos e sem que fizéssemos qualquer pergunta, eles alegaram que estavam fazendo aquilo por não terem outra fonte de renda. O trabalho destes homens, em termos de danos ao meio ambiente, é nulo quando comparados aos trabalhos das dragas.


Segundo ponto de retirada de areia, no município de Aparecida de Goiânia.

Margem habitada. Sempre há problemas de desmatamento nesses locais. Além de desmatar totalmente a margem, os proprietários ainda tem a coragem de passar suas cercas rente às margens. Mesmo com o desbarrancamento e assoreamento visível, não há a menor preocupação de um reflorestamento no espaço exigido por lei. Alegar falta de informação já não é uma boa desculpa.


Nossa primeira parada para um lanche. Chamou-me a atenção este
caudaloso riacho que desagua no rio pela margem direita.
Há sinais de que ali seja um ponto de pesca.


Nosso primeiro acampamento. Paramos por volta das 17:30 Hrs.


O plano era acampar no mesmo local utilizado por nós no ano passado, ou seja, na ponte que liga os municípios de Hidrolândia ao de Bela Vista de Goiás.

Estava ficando tarde e decidimos que seria melhor parar nesse banco de areia à margem esquerda do rio. No local havia muitas pegadas e fezes de capivaras. Muito aconchegante e seguro este local. Atrás de nós um alto barranco dificultava a entrada de qualquer pessoa. Não encontramos madeira para a fogueira.




Como era a primeira experiência de viagem por rios do Hugo, ele estava muito amedrontado com a possibilidade de encontramos algum animal “selvagem”. Temia que fôssemos atacados por onças ou até mesmo por alguma sucuri. Resolvi tirar proveito e fazer algumas brincadeiras. Em nossa primeira parada para pouso, deparamos com um monte de fezes de capivaras, juntamente com algumas pegadas. Já que ele não conhecia nada daquilo, eu disse que era fezes e pegadas de onça... e das GRANDES! Ele se assustou logo de cara e não queria nem mesmo descer da canoa. Amarrar a canoa em uma árvore próxima ao barranco foi motivo de discussão, pegar lenha para uma fogueira... sem chance. O Hugo não saia de perto de mim e disse que iria montar a sua barraca colada na minha (veja foto acima).

De nada adiantou eu querer desfazer a brincadeira, ele não acreditava que a chance de uma onça aparecer por ali era quase nula e muito menos de que o homem não faz parte da cadeia alimentar desse felino (a não ser em casos extremos de fome, proteção de filhotes ou acuação). Se as presas silvestres se tornam muito raras, as novilhas, as ovelhas e as aves domésticas podem se tornar atraentes. Na maioria das vezes, o predador só está de passagem, em busca de comida. Basta fazer barulho, bater palmas, gritar e abrir passagem que ela vai embora.

Devido ao avanço da agropecuária, ao crescimento urbano ou grandes obras, como rodovias e hidrelétricas, a supressão de florestas nativas deixa as onças demasiadamente vulneráveis. Como predadores, animais de topo de cadeia alimentar, elas precisam de grandes áreas para caçar, viver e procriar. Um indivíduo macho adulto chega a ocupar entre 22 e 150 quilômetros quadrados dependendo da região e da disponibilidade de alimentos. Quanto menos presas disponíveis, mais as onças têm de caminhar. Ao sair em busca de alimento, elas topam com as fronteiras estabelecidas pelo homem. E, inadvertidamente, ‘avançam os sinais vermelhos’.

De acordo com pesquisas feitas pelo Cenap (Centro Nacional de Pesquisa), entre 1993 e 2003, houve 155 ocorrências de onças junto a fazendas e áreas urbanas, só na região Sudeste. Outros 115 casos foram registrados no Sul, no mesmo período. No Centro-Oeste foram 28, no Nordeste 22 e no Pantanal, 20. Longe de refletir a realidade devido à subnotificação, os números servem apenas como parâmetro da disputa pelo espaço.


Carcaça de uma vaca boiando rio abaixo, logo acima da ponte que
liga a BR-153 ao município de Piracanjuba. O mal cheiro foi notado
por nós alguns metros antes de chegar até ela.


Por volta das 16:30hr começamos a notar que o céu atrás de nós estava escurecendo. Grandes nuvens de chuva se agrupavam e fortes trovões começaram a ser ouvidos. O ideal seria procurar um lugar seguro para acampar, mas ainda era cedo e isto poderia atrasar completamente nossa viagem. Resolvemos arriscar e prosseguir viagem.

Chegamos à ponte de Piracanjuba justamente na hora em que a chuva nos alcançou. Pensei em acampar por ali, mas mudei de idéia quando pensei na segurança do local.

A experiência do ano passado de que dali para baixo os pontos para acampamento são raros, batiam sempre na minha cabeça. Mesmo assim, resolvi prosseguir viagem e diminuir a diferença de horas.


Aqui estamos exatamente debaixo da ponte nova de Piracanjuba,
olhando
para a antiga ponte que ruiu. Nos escondemos da chuva e aproveitei
para dar uma breve cochilada dentro da canoa.

Logo abaixo desta ponte, passamos pela ilhota onde existe uma pequena casinha sobre palafitas.

A vegetação que margeia o rio a partir deste ponto muda completamente. Ciente de que teríamos dificuldades para acampar, resolvi entrar em um pequeno riacho que desembocava na margem direita do rio. Após percorrer uns dez metros por ele, achamos um ponto ideal para acampar. A margem alta e coberta por uma baixa vegetação foi o ideal.

Nossa segunda noite. Após uma tarde sob constante ameaça de chuva, acampamos em um braço de um riacho à margem direita do rio Meia Ponte. O local era seguro, pois estava a mais ou menos um metro da linha d’água.


Aqui neste acampamento, tive novamente a demonstração de outra fobia do Hugo: o medo de ser atacado por uma sucuri. Como tivemos que entrar em um pequeno tributário do rio, de pouca profundidade e cheio de raízes nas margens, ele ficou bastante assustado. Eu disse a ele que a sucuri “arfava” (fazendo um som parecido com um ronco) antes de atacar suas presas. Durante a noite, devido aos meus roncos, o Hugo ficou algumas horas sem dormir sem saber se quem roncava era eu ou a cobra!!!

A sucuri é um réptil ofídio da família dos boídeos. Para identificá-la, basta observar certas características: cor pardo-azeitonada, com uma dupla série de grandes manchas pretas e cabeça revestida de numerosas escamas pequenas. Elas habitam praticamente quase todo o território brasileiro, vivendo sempre à beira de rios e riachos. A Sucuri é a rainha da selva amazônica. No passado, a existência desta extraordinária serpente perdia-se nas brumas da lenda. Os exploradores que a haviam encontrado falavam de um aterrorizante monstro (o coronel Fawcett encontrou uma de 15 metros e Henry Walter Bates ouviu falar de espécies do mesmo tamanho); os índios, por seu turno, acreditam numa serpente mitológica com dezenas de metros de comprimento, chamada Mãe D’Água.

Passando da lenda à realidade, a sucuri continua sendo a maior serpente conhecida: ainda que o espécime conservado num museu de Londres tenha menos de nove metros, há notícias de espécies que, garantidamente atingem os doze metros (enquanto a rival direta da sucuri, a píton malaia ou de Bornéu, não supera os dez).

É possível que no passado tenham existido os espécimes gigantescos de que falam Fawcett e Bates nos seus livros de exploração? Talvez.

Infelizmente, a rainha da floresta corre o risco de extinção, submetida como é a um impiedoso massacre por parte de caçadores índios e colonos brancos.

A sucuri tem um processo digestivo muito difícil e trabalhoso, durante o qual se torna presa fácil dos caçadores. Sua única defesa, nesses casos, se mostra contraproducente: emana um desagradável e intenso odor que ajuda os caçadores a localizar seu esconderijo.

Por outro lado, a sucuri não conhece rival entre os outros animais na captura de suas presas. É quase sempre coroada de sucesso em suas lutas com o jacaré.

Como ele sempre deixava a canoa ir em direção às galhadas nas margens do rio, eu disse a ele que naqueles locais é que as cobras costumavam ficar, enroladas nas árvores. Foi o suficiente para que a canoa sempre navegasse no meio do leito!!! De vez em quando ouvíamos o som de um pica-pau martelando alguma árvore com seu bico. Ao ser perguntado sobre a origem daquele som, eu disse ao Hugo que se tratava de cobras alertando sobre sua presença (a canoa quase voava de tantas remadas!).

A principal ferramenta do pica-pau para sobreviver é o bico extremamente resistente, que é usado para picar a madeira do tronco das árvores à procura de insetos. Dotados de músculos fortes no pescoço, os pica-paus tem até uma proteção no cérebro, para suportarem a trepidação. Sem isso não agüentariam bater com o bico na madeira mais de 100 vezes por minuto, sem ficarem zonzos. Os ossos entre o bico e o crânio não são contínuos e sim ligados por um tecido esponjoso capaz de absorver os impactos e, assim, evitar danos cerebrais.

O maior risco que se corre ao fazer uma aventura como a nossa, é acabar esbarrando em uma cobra. Contei ao Hugo que na sede da Geo Ambiente existe a fotografia de uma cobra, que morreu ao tentar engolir uma presa de grande porte. Começamos a falar do tema.

Quando as pessoas se servem de refeições além de sua capacidade de comer, ou quando engasgam com um bocado maior, dizemos que têm “olhos maiores que a barriga”. Isto também pode acontecer com os animais, incluindo as cobras.

As cobras não tem dentes adequados parra mastigar ou cortar sua refeição em bocados. Portanto, tem que engolir inteira sua presa. Apesar da capacidade de engolir bocados grandes – pois sua pele é elástica e as costelas não estão unidas entre si – há um limite de volume. Se o limite é ultrapassado, está criada a situação de “olhos maiores que a barriga”.

Mortes de cobras por sufocação foram relatadas por biólogos em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil (a foto da Geo Ambiente é um bom exemplo).

Ao se deparar com uma cobra no meio do mato, é bom lembrar que a grande maioria delas é inofensiva para nós, e que na maioria das vezes nós é que somos um risco para elas. Todas são mortas indiscriminadamente, sejam inofensivas ou perigosas (caso das poucas espécies peçonhentas da nossa fauna). O risco que atribuímos a estes animais está baseado na nossa ignorância sobre seus hábitos. As cobras tem função importante na natureza, como predadores ou presas de outros animais.

A atual devastação ambiental é a maior ameaça para as cobras. Então, caso você se depare com uma, pense duas vezes antes de matá-la.


Outra draga de areia. Passamos por ela na manhã do terceiro dia.
Outra vez tivemos dificuldades em passar pelos cabos que atravessam o rio.
Essa estava em pleno funcionamento, um homem a manobrava
enquanto outros quatro trabalhavam na margem.

As torres de transmissão de energia são indícios de que o lago está próximo.

A última coisa que eu esperava encontrar a partir deste ponto era uma draga de areia... mas ali estava ela, com seus cabos de um lado ao outro, em plena região do lago.



Chegamos ao ancoradouro do Renor exatamente às 16:15hr.

Ao chegarmos no lago, após exaustivas horas de remo, fomos fazer reconhecimento do local por onde passaríamos o equipamento.

Na margem oposta de onde acampamos, existe uma “rochinha”, bem ao lado da barragem do Rochedo, por onde as pessoas descem embarcações. Foi por ali que decidimos que passaríamos a nossa canoa.

Constatamos que seria possível transportar nosso equipamento através da rochinha. Todo o material teria que ser carregado por cerca de 500 metros. Voltamos para nosso acampamento e, após uma farta refeição (uma das melhores depois de todos esses dias), fomos dormir às 21:10hr.



Na manhã do quarto dia, após sair de minha barraca, enquanto
tomava
leite com chocolate, sentado no ancoradouro, essa foi a visão que tive do
amanhecer. Eram 6:25hr do dia 22 de abril.
Nosso acampamento
 no ancoradouro do Renor, momentos antes de nossa partida.


 

   

RIO MEIA PONTE GOIANIRA-GOIÂNIA-ALOÂNDIA 2005

Escrito por: Paulo Castilho
Em: 13/04/06

Primeira Parte


Ao fundo, a margem por onde entramos no rio.


No ano de 2004, eu e o Ronilson P. Marques, fizemos o percurso de Goiânia ao Lago do Rochedo pelo leito do rio Meia Ponte, em um total de 170 km - por terra a distancia nao passa de 99km. Começamos a aventura no dia 21 de Abril e concluímos no dia 23, tres dias arduos de descida.

Esse ano eu quis fazer um percurso mais longo. Decidi que o ideal seria sair de Goianira, distante 55km desde minha residência, passando por Goiânia e seguindo além do lago, indo até o município de Aloândia.

A equipe inicial foi composta por mim, Rogério, que iria me acompanhar no remo e Donato, que por sua vez estaria dando início a um trabalho de filmagem das condições do rio.

Além do material filmado, nós também fizemos o registro através de fotografias.

Saímos de Goiânia às 8 horas da manha. Na cidade de Goianira fomos auxiliados pelo amigo Valdivino, que nos levou até o rio. O transporte de Goiânia a Goianira foi feito na Kombi de um amigo.

A margem que usamos como ponto de partida está totalmente desmatado. Trata-se de uma curva, que serve como vazante na época das cheias. O local poderia muito bem ser reflorestado, mas o proprietário local o usa como pasto para o gado.

Em se tratando de reflorestamento da mata ciliar, há espécies pouco conhecidas da população, como a “dedaleira” (Lafoensia pacari), uma árvore de pequeno a médio porte, de flores brancas amareladas, que de novembro a janeiro atrai morcegos, mariposas e abelhas, seus polinizadores. Ela está sendo usada no reflorestamento da Mata Atlântica. Tradicionalmente, sua madeira era usada na fabricação de flechas pelos índios guaranis.


Janderson e sua Kombi, responsável pelo transporte do equipamento

Ao se fazer o trabalho de reflorestamento, acho que seria interessante pensar na fauna da região. Pensando assim, seria interessante pensar em árvores que atraem e alimentam os pássaros. Nesse caso, teríamos que pensar em plantas especiais, como a árvore fruto-de-sabiá (Achnistus arboreus). Embora tenha apenas o nome de um pássaro em particular, pode alimentar outras 50 espécies como saíras, sanhaços, pombas, tico-tico-rei.

A maioria das pessoas sempre pensam, “Mas não leva muito tempo até crescer?”. Temos que parar de pensar em soluções imediatistas. Ninguém fica nesse mundo para semente, mas nossas idéias sim, podem ser sementes para uso de todos. Plantar árvores é semear a vida. Vê-las crescer, florescer, frutificar é uma forma de amor incondicional.



Rogerio e nossa equipe de apoio.

A perda da mata ciliar representa uma das maiores ameaças aos sistemas aquáticos. A vegetação das margens contribui para o delicado equilíbrio das águas. Como os cílios protegem nossos olhos, essas matas protegem as margens das nascentes e rios, contendo suas barrancas e constituindo um verdadeiro filtro de retenção dos sedimentos, resultantes da erosão. Com a mata na integra, a copa das árvores não permite que a chuva caia diretamente no solo. A água escorre vagarosamente pelos troncos, infiltra no solo e alimenta nascentes e o lençol freático.

Sem a mata ciliar, a água arrasta sedimentos para os rios, que ficam turvos. Os próprios fazendeiros pagam o preço do desmatamento. Com o solo desprotegido, as chuvas lavam o solo dos pastos, que ficam pobres em nutrientes e o gado também sofre as consequências da retirada radical das matas.


Um dos momentos difíceis da viagem. Tivemos que passar a canoa
vazia amarrada por cordas por sobre várias pedras.



A estação de coleta e tratamento de água de Goiânia tambem foi um dificil obstáculo que tivemos que transpor. A canoa teve que ser carregada por fora do leito. O guarda, que faz vigilância no local veio até nós, explicamos o que estávamos fazendo e em seguida prosseguimos viagem.



Ao fundo, Estaçao de Elevaçao de Agua de Goiania

Depois de percorrer 70 Km a partir de sua nascente, este rio margeia a região norte da capital e segue em direção às águas do sul. Só em Goiânia, ele já chegou a receber diariamente mais de 170 milhões de litros de esgoto.
Abaixo da estação de coleta de água, apesar de termos passado por vários pescadores e até mesmo banhistas (vários deles), começam as irregularidades. Esgotos são jogados diretamente no rio e águas são coletadas irregularmente (?) para irrigação.

Durante a descida, encontramos famílias inteiras tomando banho e até mesmo assando carne na beira do rio. Por não querer invadir a privacidade dos mesmos, não fizemos fotos, 0 mesmo aconteceu com os pescadores.



Esgoto domestico sendo despejado in natura no leito do rio




A idéia inicial era remar de Goiânira até Goiânia até à chácara do Gioveroni Limongi, próximo da GO-020, de onde partiríamos em direção a Aloândia na terça-feira. Os obstáculos encontrados pelo caminho acabaram por atrasar nosso percurso. Tivemos que improvisar uma saída antes do previsto. Acabamos saindo na ponte que liga o Carrefour Norte a Arisco (Perimetral Norte).

Como não havíamos previsto esse incidente, tivemos que improvisar socorro para transportar o barco. Após várias tentativas, acabou sobrando para o parceiro do ano passado, Ronilson, que veio em nosso auxílio.


Donato, Rogerio e eu. Notem como ja estava escuro quando chegamos.

Pouco acima de onde nós aportamos, existe na margem direita uma verdadeira “cascata” de esgoto. A falta de iluminação impediu que fotografássemos a mesma.

Mesmo com toda a sujeira do local e do mal cheiro, no local em que retiramos a canoa do rio havia umas seis pessoas pescando.

Saímos dali por volta das 19:30 hrs.


Ronilson - responsavel pelo nosso inesperado resgate.

O plano agora era descansar para seguir viagem na terça-feira (19 de abril).
O grande problema do rio no perímetro urbano de Goiânia, além do esgoto e lixo plástico, são os entulhos. Eles formam verdadeiras “ilhas” nas margens e no meio do rio. Até mesmo nessa época em que sua caixa está cheia, nosso barco raspou o fundo várias vezes nessas ilhas.

Continua...


 

   

O Inicio de Tudo!

Escrito por: Paulo Castilho
Em: 23/05/04

REDESCOBRINDO O MEIA PONTE

Goianienses navegam por trecho entre a capital e o Lago da Usina Rochedo e constatam que, apesar do lixo e das dragas, o rio ainda é uma boa opção de lazer

(Publicado no Jornal Tribuna do Planalto – edição de 23 a 29 de maio de 2004)

por Marco Aurélio Vigário


Eu, Gioveroni e Ronilson - em nosso ponto de partida.

Uma canoa, dois remos e uma barraca de acampamento. Com essa infra-estrutura básica, o comerciante Paulo Castilho, 38 anos, e o digitador Ronilson Marques, 34, decidiram percorrer os 130 quilômetros do trecho entre Goiânia e o Lado da Usina Rochedo, próximo ao municipio de Professor Jamil. Na bagagem, suprimentos para uns poucos dias de viagem e o desejo de conhecer o rio que povoa o imaginário goianiense: o Rio Meia Ponte. A idéia surgiu em outubro de 2003, quando foi inaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto de Goiânia. Uma das promessas da obra é despoluir gradualmente o Meia Ponte, que já chegou a ser chamado de “esgoto a céu aberto”, por ser utilizado como escape do esgoto e do lixo da capital. “Quando comentávamos nossa idéia com alguém, havia sempre o espanto: ‘No Meia Ponte!’ Queriamos mudar essa imagem”, conta Paulo Castilho. A saida foi marcada para o dia 23 de abril, uma sexta-feira, e na data combinada lá estavam eles na ponte da GO-020, que liga Goiânia ao municipio de Bela Vista. Os dois amigos remaram cerca de oito horas por dia, a uma velocidade média de 8 km/h. Precisaram se preocupar menos com o esgoto do que com o lixo plástico. Entre os curiosos objetos que também passeavam pelo rio estavam cadeiras, garrafas pet, utensílios domésticos, pára-choques de automóveis e até tanquinhos de lavar roupa.  É bom lembrar que uma garrafa plástica demora pelo menos 450 anos para se decompor na natureza. Pior que o lixo são as dragas, que extraem areia do leito do rio. Em um trecho de 130km, Paulo Castilho e Ronilson Marques encontraram nada menos que seis pontos de dragagem. “São nesses locais que se nota uma maior degradação das margens: mata ciliar destruída, desmoronamento dos barrancos e alargamento do leito”, denuncia Castilho.  Mas nem só de más noticias vive o Meia Ponte. Os dois aventureiros chegaram ao Lago do Rochedo no domingo, 25, às 12h30m. Acima de tudo, estavam fascinados pela fauna avistada na região – pássaros, capivaras e cágados. A conservação das margens e as paisagens deslumbrantes são outros pontos destacados por Paulo Castilho. “Em alguns momentos, a gente até esquece que está sobre um rio descartado pela população de Goiânia”, lembra.


Colocando o barco na água.



UM RIO À DERIVA

por Paulo Castilho
(Especial para a Tribuna do Planalto)

Quando tivemos a idéia de descer o rio, fomos em busca de informações. Procuramos o Ibama, na esperança de conseguir mapas hidrográficos ou qualquer outro tipo de informação. Mas o que constatamos foi uma desinformação total entre os funcionários que nos atenderam. Ninguém sabia se o material sequer existia. Acho até que duvidaram que desceriamos mesmo o rio. Após muito empurra-empurra, perguntamos se era preciso alguma autorização para fazer a descida. O funcionário nos informou que seria preciso pagar uma taxa no valor de R$ 60, para obter uma licença de Pesca Embarcada. Depois de tantas informações desencontradas, os funcionários do Ibama resolveram nos jogar para a Agência Goiana de Meio Ambiente e Recursos Naturais, onde talvez conseguissemos alguma coisa. Há possibilidade de pesca rio abaixo e, para aqueles que querem praticar o esporte, é preciso pagar a Licença para Pesca Amadora – obrigatória para todo pescador que utiliza molinete ou carretilha ou pesca embarcado. O menor de 18 anos está dispensado do pagamento da taxa, assim como o aposentado maior de 65 anos (60, no caso de mulheres)


Ronilson e Paulo Castilho, prontos para a aventura.

CONTROLE

O licenciamento é a forma que os governos federal e estadual dispõem para controlar a exploração dos recursos pesqueiros. Serve também para arrecadar recursos para a implementação de planos de gerenciamento e fiscalização do meio ambiente. A partir do momento que se tiver certeza que as verbas estão sendo usadas de maneira correta e para o seu devido fim, o pagamento se tornará um prazer. Não pagamos a taxa porque o nosso objetivo não era a pesca e sim conhecer o rio. Dificil seria pagar e constatar que o rio está sendo depredado pelas dragas de areia – e não pela pesca ilegal. Pior ainda é constatar que durante todo o trajeto não existe um só fiscal do órgão. AGRADECIMENTOS Nossa aventura teve o importante apoio de duas pessoas, Gioveroni Limongi (Goiânia) e Renor (Rochedo), que nos cederam suas propriedades como pontos de partida e chegada. Fica aqui o nosso agradecimento. SAIBA MAIS O Rio Meia Ponte nasce na Serra dos Brandões, a uma altitude de 983 metros, na divisa dos municipios de Taquaral de Goiás e Itauçu, localizado a 60 quilometros da capital. Tem 471,6 quilometros de extensão. Deságua no Rio Paranaíba, próximo a Cachoeira Dourada e à divisa com o Estado de Minas Gerais. A bacia hidrográfica do Meia Ponte ocupa cerca de 4% da área do Estado, abrangendo 38 municipios e aproximadamente dois milhões de pessoas. Em junho de 2003, técnicos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, ao analisar fotos de satélite, descobriram cinco importantes nascentes do Rio em Taquaral de Goiás. CONVITE Estamos preparando uma nova descida pelo rio, completando o trajeto até Aloandia. Nossa última aventura terminou na ponte do municipio de Pontalina. Assim que começarem as chuvas, período em que as pedras estarão encobertas, retomaremos nossa aventura, saindo desta vez de onde paramos (da ponte) até Aloandia. O percurso é curto e o faremos em um período de dois dias, aproveitando para estudar ao máximo seus afluentes e condições de margens. Os interessados devem entrar em contato conosco – hqpoint@hotmail.com


Ronilson, contemplando a beleza natural da região de Hidrolandia.


Nosso segundo acampamento, abaixo da ponte de Piracanjuba.


Ronilson e eu, durante entrevista para o Jornal Tribuna do Planalto.


Ponto de extração de areia. Margem danificada.


 

   


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