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Esgoto Doméstico

Fonte: Gil Portugal
Em: 28/09/04

Essa é uma praga que assola o país de norte a sul, cujo tratamento adequado demandaria por volta de U$ 24 bilhões, número impossível de imaginar, por ser apenas um ítem nas dezenas ou centenas de outras prioridades a serem consideradas.

Dos mais de 5 mil municípios brasileiros, apenas cerca de 50 recolhem e tratam adequadamente os esgotos domésticos gerados e que não podem parar de ser gerados, e que vêm degradando, de forma impiedosa e contínua, os nossos recursos hídricos de água doce e nossos mares.

É a poluição da pobreza que gera mais pobreza, pelo encarecimento que acarreta no tratamento das águas (onde há esse tratamento) para o consumo humano; pela redução sistemática das fontes de subsistência retiradas dos rios, lagos e mares. Não bastasse, e o que é principal, os esgotos não tratados são a porta de entrada de um sem número de doenças, já há muito tempo erradicadas em várias nações. É a marca registrada do subdesenvolvimento.

Se fosse possível comparar os custos de saneamento (tratamento adequado dos esgotos domésticos) com aqueles hoje já despendidos – afim de sustentar a saúde do povo, livrando-o das doenças advindas – contra os custos relativos ao baque sofrido no potencial de mão de obra, devido a absenteísmo e debilidades, ver-se-ia que o assunto é uma emergência nacional.

Considerando os esgotos que são lançados ´in natura´ e que atingem os grandes mananciais de abastecimento d’água, em forma de rios, percebe-se que, no geral que,os esgotos de um município irão, em princípio, afetar a qualidade das águas do município vizinho mais abaixo (jusante), no rio. Tal fato leva a uma espécie de descaso pelo assunto do governante do município poluidor ( a montante): -´Afinal, se minha água já vem suja de cima e tenho que tratá-la, que meu vizinho, de baixo, a trate também; por que limpá-la para ele?´

Visto esse aspecto, o tratamento de esgotos, a nível municipal, é sempre uma iniciativa que tende a ser ´empurrada com a barriga´.

Isso conduz ao raciocínio de que é necessária uma tremenda vontade política dos governantes municipais em ´enterrar´ seus parcos recursos em obras que não iriam beneficiar seus munícipes diretamente. É um ledo engano, mormente no que se refere às valas negras que percorrem diversos caminhos em seus próprios municípios, caracterizando um verdadeiro arsenal ambulante de toda a sorte de doenças possíveis de transmissão pelo simples contato, no uso indevido na rega de hortaliças e na contaminação de poços artesianos que são utilizados pelos munícipes.

Mas, se o caminho por aí é difícil, teremos mesmo é que procurar outros mais fáceis e práticos, como sejam aqueles através da setorização dos tratamentos; isto é, fazer com que agrupamentos populacionais coletem e tratem seus próprios esgotos. Isso pode, sem dúvida, economizar quilômetros de redes públicas de coleta, mas, para tal, justo seria que houvesse uma compensação em forma de abatimento de taxas e tributos, como a taxa d’água e esgoto e o IPTU.

Deveriam já, os governos municipais, iniciar uma tarefa de fiscalização e conscientização e passarem a exigir o tratamento, a começar pelos hospitais, ambulatórios, condomínios, hotéis, restaurantes, clubes e indústrias.

Com a palavra aos vereadores.



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Por Gil Portugal

Essa é uma praga que assola o país de norte a sul, cujo tratamento adequado demandaria por volta de U$ 24 bilhões, número impossível de imaginar, por ser apenas um ítem nas dezenas ou centenas de outras prioridades a serem consideradas.

Dos mais de 5 mil municípios brasileiros, apenas cerca de 50 recolhem e tratam adequadamente os esgotos domésticos gerados e que não podem parar de ser gerados, e que vêm degradando, de forma impiedosa e contínua, os nossos recursos hídricos de água doce e nossos mares.

É a poluição da pobreza que gera mais pobreza, pelo encarecimento que acarreta no tratamento das águas (onde há esse tratamento) para o consumo humano; pela redução sistemática das fontes de subsistência retiradas dos rios, lagos e mares. Não bastasse, e o que é principal, os esgotos não tratados são a porta de entrada de um sem número de doenças, já há muito tempo erradicadas em várias nações. É a marca registrada do subdesenvolvimento.

Se fosse possível comparar os custos de saneamento (tratamento adequado dos esgotos domésticos) com aqueles hoje já despendidos – afim de sustentar a saúde do povo, livrando-o das doenças advindas – contra os custos relativos ao baque sofrido no potencial de mão de obra, devido a absenteísmo e debilidades, ver-se-ia que o assunto é uma emergência nacional.

Considerando os esgotos que são lançados ´in natura´ e que atingem os grandes mananciais de abastecimento d’água, em forma de rios, percebe-se que, no geral que,os esgotos de um município irão, em princípio, afetar a qualidade das águas do município vizinho mais abaixo (jusante), no rio. Tal fato leva a uma espécie de descaso pelo assunto do governante do município poluidor ( a montante): -´Afinal, se minha água já vem suja de cima e tenho que tratá-la, que meu vizinho, de baixo, a trate também; por que limpá-la para ele?´

Visto esse aspecto, o tratamento de esgotos, a nível municipal, é sempre uma iniciativa que tende a ser ´empurrada com a barriga´.

Isso conduz ao raciocínio de que é necessária uma tremenda vontade política dos governantes municipais em ´enterrar´ seus parcos recursos em obras que não iriam beneficiar seus munícipes diretamente. É um ledo engano, mormente no que se refere às valas negras que percorrem diversos caminhos em seus próprios municípios, caracterizando um verdadeiro arsenal ambulante de toda a sorte de doenças possíveis de transmissão pelo simples contato, no uso indevido na rega de hortaliças e na contaminação de poços artesianos que são utilizados pelos munícipes.

Mas, se o caminho por aí é difícil, teremos mesmo é que procurar outros mais fáceis e práticos, como sejam aqueles através da setorização dos tratamentos; isto é, fazer com que agrupamentos populacionais coletem e tratem seus próprios esgotos. Isso pode, sem dúvida, economizar quilômetros de redes públicas de coleta, mas, para tal, justo seria que houvesse uma compensação em forma de abatimento de taxas e tributos, como a taxa d’água e esgoto e o IPTU.

Deveriam já, os governos municipais, iniciar uma tarefa de fiscalização e conscientização e passarem a exigir o tratamento, a começar pelos hospitais, ambulatórios, condomínios, hotéis, restaurantes, clubes e indústrias.

Com a palavra aos vereadores.

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