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A ÁGUA E A CIDADE DE GOIÂNIA

Fonte: Paulo Castilho
Em: 24/04/10

A necessidade de se transferir a Capital de Goiás para uma outra cidade era questão de extrema necessidade para o desenvolvimento do estado. Ao escolher a região de Campinas, que foi cogitada para ser a nova capital, levou-se em conta que um dos elementos mais indispensáveis à fundação e desenvolvimento de um centro urbano seria a água. Sem tal elemento ao alcance dos habitantes de uma cidade, a qualquer hora do dia ou da noite,  nos mais elevados pavimentos dos prédios, ela deixa de realizar um dos principais requisitos estabelecidos pela vida moderna.

Na região de Campinas, correm vários mananciais que atualmente não são aproveitados de maneira correta, mas que na época chamaram a atenção para a escolha da região onde seria a nova capital. Foi levado em consideração o rio Meia ponte, que tinha uma descarga de mais de quinze milhões de litros por hora. Além disso, nesse rio havia a corredeira Jaó, com uma potencia de mais de 450 cavalos. Em direção a Campinas, passa o rio Anicuns, que na época tinha uma descarga de nove milhões e seiscentos mil litros. A sua água era excelente. Foram levados também em consideração outros cursos d’água: o Cascavel, com um milhão e duzentos mil litros por hora;  e o Macambira, com oitocentos mil litros.

Além do consumo humano da água, pensou-se também na questão da energia elétrica, que poderia ser obtida através do rio Meia Ponte com sua queda natural com uma potência de cerca de 450 cavalos, a qual poderia ser aumentada no caso de se recorrer à uma queda artificial (construção de usina com barragem).

Naquela época, chegou-se a cogitar que as bacias dos riachos escolhidos para abastecer de água a futura Capital deveriam ser desapropriadas até as nascentes. Hoje, o que se vê é o contrário, áreas das nascentes sendo aterradas para a construção clandestina de residências.

Depois de várias opções para a nova capital, ficou decidido que seria construída uma nova cidade, em terras que ficavam a Leste de Campinas. Inicialmente planejada para ser implantada na região onde hoje se encontra o “alto do Marista”. Tinha-se em mente que um reservatório de água potável seria construído no morro da Serrinha. Chegou-se a pensar em utilizar o córrego Santo Antonio, situado a sudoeste (6km) com descarga horária de 5.870.000 litros. Posteriormente, o plano foi mudado para onde é hoje a praça Cívica, visando atender uma conveniência do abastecimento de água, cuja fonte era o manancial do Areião, que ficava geograficamente abaixo daquele ponto.

Além da alternativa das cisternas, implantou-se em Goiânia, cerca de um ano depois das obras de sua construção, o primeiro sistema de captação de água no Areião, tributário do córrego Botafogo. Fossas sépticas, inicialmente, foram a solução para o esgoto.

A construção da primeira usina geradora de energia elétrica de Goiânia havia sido contratada pelo governo estadual com a empresa do engenheiro José Madureira Junior em agosto de 1934. Em um ponto estratégico do rio Meia Ponte, onde havia um desnível natural de aproximadamente 8 metros, junto do qual surgiria anos depois o Clube Jaó e o bairro de mesmo nome, o rio seria represado para formar o reservatório da usina pioneira.

No dia 15 de novembro de 1936, feriado da Proclamação da República, Goiânia ganhava o seu primeiro sistema de abastecimento de energia elétrica. A usina entrou em operação exatamente às 17 horas desse dia e, quando a noite chegou, as luzes se acenderam nas ruas e nas casas. 

Um potente motor de submarino foi adquirido pelo governo estadual e instalado em Goiânia para ajudar na iluminação da cidade. O equipamento foi instalado às margens do córrego Botafogo, pois, necessitava ser o tempo todo resfriado a água. Quando a água que passava pelo imenso motor voltava para o leito do córrego, estava quente e aquecia o caudal a que se juntava. Isso fazia com que um trecho de aproximadamente 25 a 30 metros do Botafogo ficasse gostoso para o banho, como se fosse um manancial de águas termais. Dois motores semelhantes também foram utilizados na cidade de Aragarças-GO no ano de 1965.

Cogitou-se que parte do reservatório do Jaó seria transformado em área de lazer, esportes aquáticos e até pouso de hidroaviões. Essa idéia não vingou, vingaria a do Lago das Rosas, que foi construído em 1940. As águas do Lago das Rosas serviam como local para banho dos moradores da cidade, Formado pelas águas do córrego Capim Puba, tinha seu fundo lamacento e formava depósitos de lama por toda extensão do lago, principalmente nas proximidades do trampolim de onde os banhistas saltavam. Os depósitos de lama formavam verdadeiras armadilhas e causaram várias mortes, o que levou a proibição de seu uso pelos banhistas.

Com o crescimento da cidade, a usina do Jaó passou a ficar defasada. Mesmo tendo sido reformada e sem operar por causa de uma enchente em 1945, esta usina atendia a cidade com a mesma antiga capacidade, em torno apenas de 1.500 quilowates.

O governo estadual iniciou então as obras da Usina do Rochedo, no rio Meia Ponte, que iria gerar 5 mil quilowates.

O abastecimento de água também ficou ameaçado com o crescimento da cidade. Mais um motor de recalque foi instalado no ribeirão Cascavel e teve início das obras do ribeirão João Leite, onde foi implantado um serviço de captação.

Em 1970 a usina do Jaó foi desativada, a barragem da usina foi dinamitada e o lago destruído. O crescimento da cidade acelerou o processo de desativação da usina, além de não mais conseguir suprir a demanda de energia, o lago já não poderia ser utilizado para banhos ou atividades de lazer, visto que suas águas já se encontravam bastante poluídas. Infelizmente Goiânia não soube conservar os mananciais que foram cruciais para a construção da cidade, hoje em dia o que se vê esta muito distante daquilo que Pedro Ludovico viu quando chegou a essas terras.



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Por Paulo Castilho

A necessidade de se transferir a Capital de Goiás para uma outra cidade era questão de extrema necessidade para o desenvolvimento do estado. Ao escolher a região de Campinas, que foi cogitada para ser a nova capital, levou-se em conta que um dos elementos mais indispensáveis à fundação e desenvolvimento de um centro urbano seria a água. Sem tal elemento ao alcance dos habitantes de uma cidade, a qualquer hora do dia ou da noite,  nos mais elevados pavimentos dos prédios, ela deixa de realizar um dos principais requisitos estabelecidos pela vida moderna.

Na região de Campinas, correm vários mananciais que atualmente não são aproveitados de maneira correta, mas que na época chamaram a atenção para a escolha da região onde seria a nova capital. Foi levado em consideração o rio Meia ponte, que tinha uma descarga de mais de quinze milhões de litros por hora. Além disso, nesse rio havia a corredeira Jaó, com uma potencia de mais de 450 cavalos. Em direção a Campinas, passa o rio Anicuns, que na época tinha uma descarga de nove milhões e seiscentos mil litros. A sua água era excelente. Foram levados também em consideração outros cursos d’água: o Cascavel, com um milhão e duzentos mil litros por hora;  e o Macambira, com oitocentos mil litros.

Além do consumo humano da água, pensou-se também na questão da energia elétrica, que poderia ser obtida através do rio Meia Ponte com sua queda natural com uma potência de cerca de 450 cavalos, a qual poderia ser aumentada no caso de se recorrer à uma queda artificial (construção de usina com barragem).

Naquela época, chegou-se a cogitar que as bacias dos riachos escolhidos para abastecer de água a futura Capital deveriam ser desapropriadas até as nascentes. Hoje, o que se vê é o contrário, áreas das nascentes sendo aterradas para a construção clandestina de residências.

Depois de várias opções para a nova capital, ficou decidido que seria construída uma nova cidade, em terras que ficavam a Leste de Campinas. Inicialmente planejada para ser implantada na região onde hoje se encontra o “alto do Marista”. Tinha-se em mente que um reservatório de água potável seria construído no morro da Serrinha. Chegou-se a pensar em utilizar o córrego Santo Antonio, situado a sudoeste (6km) com descarga horária de 5.870.000 litros. Posteriormente, o plano foi mudado para onde é hoje a praça Cívica, visando atender uma conveniência do abastecimento de água, cuja fonte era o manancial do Areião, que ficava geograficamente abaixo daquele ponto.

Além da alternativa das cisternas, implantou-se em Goiânia, cerca de um ano depois das obras de sua construção, o primeiro sistema de captação de água no Areião, tributário do córrego Botafogo. Fossas sépticas, inicialmente, foram a solução para o esgoto.

A construção da primeira usina geradora de energia elétrica de Goiânia havia sido contratada pelo governo estadual com a empresa do engenheiro José Madureira Junior em agosto de 1934. Em um ponto estratégico do rio Meia Ponte, onde havia um desnível natural de aproximadamente 8 metros, junto do qual surgiria anos depois o Clube Jaó e o bairro de mesmo nome, o rio seria represado para formar o reservatório da usina pioneira.

No dia 15 de novembro de 1936, feriado da Proclamação da República, Goiânia ganhava o seu primeiro sistema de abastecimento de energia elétrica. A usina entrou em operação exatamente às 17 horas desse dia e, quando a noite chegou, as luzes se acenderam nas ruas e nas casas. 

Um potente motor de submarino foi adquirido pelo governo estadual e instalado em Goiânia para ajudar na iluminação da cidade. O equipamento foi instalado às margens do córrego Botafogo, pois, necessitava ser o tempo todo resfriado a água. Quando a água que passava pelo imenso motor voltava para o leito do córrego, estava quente e aquecia o caudal a que se juntava. Isso fazia com que um trecho de aproximadamente 25 a 30 metros do Botafogo ficasse gostoso para o banho, como se fosse um manancial de águas termais. Dois motores semelhantes também foram utilizados na cidade de Aragarças-GO no ano de 1965.

Cogitou-se que parte do reservatório do Jaó seria transformado em área de lazer, esportes aquáticos e até pouso de hidroaviões. Essa idéia não vingou, vingaria a do Lago das Rosas, que foi construído em 1940. As águas do Lago das Rosas serviam como local para banho dos moradores da cidade, Formado pelas águas do córrego Capim Puba, tinha seu fundo lamacento e formava depósitos de lama por toda extensão do lago, principalmente nas proximidades do trampolim de onde os banhistas saltavam. Os depósitos de lama formavam verdadeiras armadilhas e causaram várias mortes, o que levou a proibição de seu uso pelos banhistas.

Com o crescimento da cidade, a usina do Jaó passou a ficar defasada. Mesmo tendo sido reformada e sem operar por causa de uma enchente em 1945, esta usina atendia a cidade com a mesma antiga capacidade, em torno apenas de 1.500 quilowates.

O governo estadual iniciou então as obras da Usina do Rochedo, no rio Meia Ponte, que iria gerar 5 mil quilowates.

O abastecimento de água também ficou ameaçado com o crescimento da cidade. Mais um motor de recalque foi instalado no ribeirão Cascavel e teve início das obras do ribeirão João Leite, onde foi implantado um serviço de captação.

Em 1970 a usina do Jaó foi desativada, a barragem da usina foi dinamitada e o lago destruído. O crescimento da cidade acelerou o processo de desativação da usina, além de não mais conseguir suprir a demanda de energia, o lago já não poderia ser utilizado para banhos ou atividades de lazer, visto que suas águas já se encontravam bastante poluídas. Infelizmente Goiânia não soube conservar os mananciais que foram cruciais para a construção da cidade, hoje em dia o que se vê esta muito distante daquilo que Pedro Ludovico viu quando chegou a essas terras.

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