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O desafio da ETE Goiânia

Fonte: Ernesto Renovato
Em: 26/06/04

Considerada a mais importante bacia hidrográfica do estado de Goiás, pois é onde se concentra a maior parte da população do estado, a bacia do Rio Meia Ponte está recebendo um importante presente, uma estação de tratamento de esgoto que vai tratar a maior parte do esgoto gerado pela população de Goiânia e região metropolitana. Isto representa um importante passo na melhoria da qualidade de vida da população da bacia que há anos tem acompanhado a agonia de seu mais importante personagem, o Rio Meia Ponte.

É claro que nem tudo são rosas. Quem acredita que após o inicio do funcionamento da ETE de Goiânia teremos um quadro confortável para a atual situação dos córregos deste município poderá ter uma desagradável surpresa. Acontece que, é enorme a quantidade de ligações clandestinas de esgoto existentes, principalmente nas galerias de água pluvial. Ao percorrer vários trechos dos córregos de nossa cidade pude perceber este fato.

A situação é grave.Qual seria a dificuldade de se ligar o esgoto do posto de gasolina, da escola, do lavajato, e tantos outros estabelecimentos comerciais ou mesmo residências na rede convencional coletora de esgotos? Quem é o culpado pela ocupação desordenada das margens dos mananciais? Especulação imobiliária? Fiscalização deficiente? Seriam tantas perguntas, que nem vem ao caso neste momento. Não se respeita nem mesmo a faixa de proteção de matas ciliares. Até hoje obras e mais obras são feitas margeando os córregos e não há fiscalização que os impeça. Algumas vezes chega-se ao cúmulo de se encontrar casas na beira dos córregos. Alguns centímetros do espelho d´água. Criam-se dificuldades enormes de se lidar com este tipo de ocupação, pois não existe rede coletora para este tipo de caso, e o esgoto cai in natura no curso d´água. A desapropriação depois demanda dinheiro, se impedissem antes, não haveria problema.

E quanto ao que chegas às nossas mesas? É muito comum também encontrarmos plantações de hortaliças, regadas com águas classificadas como impróprias para irrigação de hortaliças consumidas cruas. Estas, seguem seu caminho para as feiras e supermercados e, de lá seguem ´fresquinhas´ para a mesa do consumidor, cheias de substâncias químicas, muitas vezes tóxicas.Quanto à educação, falta ainda muito o que fazer, o simples papel que é jogado na rua, a lata, o plástico, tudo, segue um caminho, se não tem gari pra limpar, a chuva carrega, pra onde? Para os córregos, mais uma vez. Depois são necessários os mutirões de limpeza da prefeitura que alocam profissionais para fazer roçagem das margens e retirada de lixo do interior do córrego, e haja lixo! Uma das frentes de combate ao mosquito do Dengue se dá dessa forma.

Ainda bem que não está tudo perdido, ainda é possível encontrar peixes vivos , fato que mostra que ainda existe oxigênio na água. Presenciei o fato no córrego Botafogo. Veremos se após o fechamento dos primeiros interceptores, vamos começar a ter uma mudança de consciência e também uma fiscalização mais eficiente para impedir os seres inconscientes de cometerem suas atrocidades contra a natureza.



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O desafio da ETE Goiânia



Por Ernesto Renovato

Considerada a mais importante bacia hidrográfica do estado de Goiás, pois é onde se concentra a maior parte da população do estado, a bacia do Rio Meia Ponte está recebendo um importante presente, uma estação de tratamento de esgoto que vai tratar a maior parte do esgoto gerado pela população de Goiânia e região metropolitana. Isto representa um importante passo na melhoria da qualidade de vida da população da bacia que há anos tem acompanhado a agonia de seu mais importante personagem, o Rio Meia Ponte.

É claro que nem tudo são rosas. Quem acredita que após o inicio do funcionamento da ETE de Goiânia teremos um quadro confortável para a atual situação dos córregos deste município poderá ter uma desagradável surpresa. Acontece que, é enorme a quantidade de ligações clandestinas de esgoto existentes, principalmente nas galerias de água pluvial. Ao percorrer vários trechos dos córregos de nossa cidade pude perceber este fato.

A situação é grave.Qual seria a dificuldade de se ligar o esgoto do posto de gasolina, da escola, do lavajato, e tantos outros estabelecimentos comerciais ou mesmo residências na rede convencional coletora de esgotos? Quem é o culpado pela ocupação desordenada das margens dos mananciais? Especulação imobiliária? Fiscalização deficiente? Seriam tantas perguntas, que nem vem ao caso neste momento. Não se respeita nem mesmo a faixa de proteção de matas ciliares. Até hoje obras e mais obras são feitas margeando os córregos e não há fiscalização que os impeça. Algumas vezes chega-se ao cúmulo de se encontrar casas na beira dos córregos. Alguns centímetros do espelho d´água. Criam-se dificuldades enormes de se lidar com este tipo de ocupação, pois não existe rede coletora para este tipo de caso, e o esgoto cai in natura no curso d´água. A desapropriação depois demanda dinheiro, se impedissem antes, não haveria problema.

E quanto ao que chegas às nossas mesas? É muito comum também encontrarmos plantações de hortaliças, regadas com águas classificadas como impróprias para irrigação de hortaliças consumidas cruas. Estas, seguem seu caminho para as feiras e supermercados e, de lá seguem ´fresquinhas´ para a mesa do consumidor, cheias de substâncias químicas, muitas vezes tóxicas.Quanto à educação, falta ainda muito o que fazer, o simples papel que é jogado na rua, a lata, o plástico, tudo, segue um caminho, se não tem gari pra limpar, a chuva carrega, pra onde? Para os córregos, mais uma vez. Depois são necessários os mutirões de limpeza da prefeitura que alocam profissionais para fazer roçagem das margens e retirada de lixo do interior do córrego, e haja lixo! Uma das frentes de combate ao mosquito do Dengue se dá dessa forma.

Ainda bem que não está tudo perdido, ainda é possível encontrar peixes vivos , fato que mostra que ainda existe oxigênio na água. Presenciei o fato no córrego Botafogo. Veremos se após o fechamento dos primeiros interceptores, vamos começar a ter uma mudança de consciência e também uma fiscalização mais eficiente para impedir os seres inconscientes de cometerem suas atrocidades contra a natureza.

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